cirrose

A origem etimológica reporta-se ao termo grego Khirros, que significa amarelado, do qual deriva a palavra latina Cirrhosis, antecessora do português cirrose.
A cirrose é uma doença crónica e irreversível do fígado, resultante da substituição das células normais deste órgão - os hepatócitos - por tecido cicatricial. O organismo responde a uma lesão necrótica dos hepatócitos através de uma divisão descontrolada destes, originando ilhas irregulares, rodeadas por tecido conjuntivo, formando-se quistos nodulares, que levam a alterações na anatomia e no funcionamento do fígado, originando o endurecimento e a falência desta importante glândula anexa do sistema digestivo.
A formação dos nódulos de hepatócitos é acompanhada por uma fibrose difusa (atinge todo o órgão), levando ao surgimento de hipertensão na veia porta, que conduz à formação de varizes esofágicas e gástricas, hemorroidas, ascite (vulgo, "barriga de água", isto é, acumulação de líquido na cavidade peritoneal), esplenomegalia (devido à acumulação de sangue no baço), insuficiência hepática, hemorragias internas, podendo advir coma hepático e morte. A degeneração progressiva dos hepatócitos sobrecarrega a porção ainda funcional do fígado, agravando ainda mais a pressão sobre este órgão, num processo de feedback degenerativo positivo. A doença apresenta duas fases, com diferente visibilidade clínica: uma fase compensada, que pode durar várias décadas, não ocorrendo sintomas; e uma fase descompensada, durante a qual surgem várias manifestações clínicas, que facilitam o diagnóstico, como emagrecimento rápido e muito acentuado, dores abdominais, eritema palmar, atrofia muscular, ginecomastia, aranhas vasculares e, em fases avançadas, hemorragias digestivas, edema dos membros inferiores e encefalopatia hepática, entre outras.
A cirrose decorre de transtornos do metabolismo, estando associada à produção de substâncias tóxicas pelo próprio organismo (endotoxinas) ou provenientes de outras fontes (exotoxinas). As principais causas desta doença são lesões hepáticas induzidas por hábitos alcoólicos, drogas ou toxinas, hepatites autoimunes, hepatites virais B, C e D, doenças metabólicas como a hematocromatose, a doença de Wilson e a deficiência de Alfa 1-antitripsina, distúrbios vasculares, insuficiência cardíaca direita crónica, síndrome de Budd-Chiari, cirrose biliar, colangite esclerosante primária, atresia biliar, insuficiência congénita dos ductos intra- hepáticos e cirrose criptogénica.
A cirrose alcoólica, resultante de alcoolismo crónico, é a forma mais vulgar desta doença, ocorrendo em 30% dos alcoólicos que desenvolvem hepatite alcoólica. Tal como as restantes cirroses, é uma doença irreversível, que provoca, inicialmente, o aumento de volume do fígado, que numa fase mais avançada, devido ao avanço da fibrose e morte dos hepatócitos, regride abaixo do tamanho normal, até à falência completa.
A mortalidade associada à cirrose compreende-se pelos danos irreversíveis causados ao fígado, que não é apenas um órgão produtor de sucos digestivos (bílis), mas também desintoxicante e crucial na transformação e na síntese primária dos nutrientes absorvidos a nível intestinal.
Esta doença apresenta distribuição mundial, surgindo associada, sobretudo, a comportamentos alcoólicos e de risco, potenciadores da transmissão de hepatites B e C, como o consumo intravenoso de drogas.
Os tratamentos disponíveis atualmente não são eficazes na regressão da doença, atrasando apenas a sua progressão, através da administração de hepatoprotectores, e aliviando os sintomas.
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