Coderch

Arquiteto espanhol, José Antonio Coderch de Sentmenat nasceu em 1913, em Barcelona, sendo filho do então chefe do porto de Barcelona e de uma professora primária. Em 1932, entra para a Escola Superior de Arquitetura de Barcelona, para frequentar o curso de Arquitetura, onde é aluno de Josep Maria Jujol i Gibert e de Antoni Gaudi i Cornet. Após o final dos seus estudos, em 1940, inicia a sua atividade na Direção-Geral de Arquitetura em Madrid, antes de, em 1942, se tornar arquiteto municipal em Sitges, Barcelona. São desta altura as suas primeiras obras particulares, na forma de casas unifamiliares, onde começa a demonstrar uma atitude crítica face aos pressupostos dogmáticos do Movimento Moderno.
De facto, Coderch pertence ao que se pode designar como uma segunda geração de modernistas, em que os ideais da "Carta de Atenas" (documento elaborado no quarto CIAM - Congresso Internacional de Arquitetura Moderna, em 1933) não são assumidos segundo uma postura tão dogmática, focalizando-se agora na especificidade do indivíduo (por oposição à tendência uniformizadora do Homem, que tentava impor uma arquitetura internacional independente das circunstâncias locais).
Umas das suas obras mais representativas é a Casa Ugalde, de 1951, por propor uma primeira aproximação à arquitetura vernacular, que se manifesta na organicidade da planta e na espessura das suas paredes, numa clara negação do volume puro e da construção tipificada do Modernismo. Esta relação com a arquitetura popular não é contudo total, pois a distribuição e conceção das suas funções não corresponde ao modo de vida das populações rurais (por se considerar desligada das necessidades atuais), mas antes a um desenvolvimento espacial trazido do Moderno, sem ser tão específico ou opressivo. A relação com a arquitetura específica do local é portanto, morfológica, num desejo de integração da casa no lugar.
Esta posição discreta, aliás uma das características da sua personalidade, é manifestada no decorrer da sua carreira, que vai englobar igualmente outro tipo de programas como a habitação coletiva ou equipamentos e serviços, cujas soluções surgem sempre de um compromisso entre modernismo, o lugar da implantação e uma certa recuperação dos valores de intimidade e vivência da cidade tradicional.
Com o prédio de habitação de 1951 em "La Barceloneta", um bairro piscatório em Barcelona, não se inibe de adotar uma imagem moderna (que faz recurso ao tradicional estore de ripas das construções típicas da zona), embora o edifício pretenda, antes de tudo, completar o quarteirão em que se insere, ou seja, uma característica de uma cidade tradicional (por oposição a tentar fazer uma cidade moderna).
Contudo, tal não impede que, em situações em que não existam referências próximas, Coderch proponha novos modelos de urbanismo apoiados em blocos de edifícios de habitação coletiva, segundo formas inovadoras (tanto a nível de implantação do edifício como de desenvolvimento do apartamento), mas que continuam a estar apoiados na tradicional rua da cidade, por oposição ao edifício elevado sobre pilares, típico da "Carta de Atenas". São disso exemplo o conjunto habitacional do Banco Urquijo em Barcelona, 1967, e "Las Cocheras", em Barcelona, 1968, cuja profundidade do edifício visava propor a densidade (elevada) prevista para o local, sem que contudo os cinco pisos fossem superados, numa tentativa de dotar todo o conjunto com uma escala mais humana (mais uma vez em nítida oposição às unidade de habitação de Le Corbusier, por exemplo).
Com o desenvolvimento da sua obra, vai abdicando da anterior pesquisa morfológica da casa tradicional patente na Casa Ugalde, para adotar uma postura mais abstrata (que alguns definem, erradamente, como uma aproximação à casa mediterrânica), sem que tal signifique uma solução formal mais pobre ou simplória. Os exemplos dados anteriormente de habitação coletiva manifestam grande riqueza na elaboração dos diferentes volumes que os compõem e mesmo na habitação unifamiliar o esforço é notório: a Casa Lugue, de 1965, a Casa Gili, também de1965, ou a casa em La Bonanova, de 1971, todas em Barcelona, partilham o mesmo purismo formal na composição dos seus diversos elementos.
Os seus ideais levaram a que em 1960 participasse, juntamente com os Smithson, Aldo van Eyck e Ralph Erskine (entre outros), na elaboração do programa do TEAM X, cujo destino era precisamente o de repensar a cidade moderna, abrindo o campo a uma nova geração de modernistas.
Recusando-se desde sempre a participar em concursos e inclusive a publicar as suas obras, o conhecimento e divulgação do seu trabalho deve-se à exceção que constituiu a revista italiana Domus, à qual Coderch enviava as suas obras pontualmente.
Faleceu em 1984.
Como referenciar: Porto Editora – Coderch na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2021-10-17 08:22:30]. Disponível em