Colégio das Artes

O Colégio das Artes foi fundado em Coimbra por iniciativa do infante D. Pedro e posteriormente levado a cabo por D. João III. Este Colégio nasceu da necessidade de ministrar em Coimbra cursos cujo intuito específico era melhorar e renovar o ensino em Portugal dentro de um carácter humanista de cariz mais laico, que fazia distanciar o Colégio das restantes instituições de ensino. A intenção era colocar o nosso país em pé de igualdade com os restantes países europeus. A valorização do homem culto em contacto com o mundo constituiu um objetivo muito significativo, de forma a mudar a face do ensino que se ministrava no interior dos mosteiros e das catedrais.
Quem esteve à frente dos destinos do novo colégio durante muito tempo foi André de Gouveia, que já tinha sido docente em Bordéus e trouxera consigo João da Costa, Diogo de Teive, Patrício e Jorge Buchanan, Arnaldo Fabrício, Elias Vinet, Jacques Tapie e Nicolau de Grouchy, que, por terem vindo de Bordéus, constituíram o grupo dos "Bordaleses", rivalizando com um grupo já estabelecido, os "Parisienses", defensores da ortodoxia conotada com Diogo Gouveia Sénior. Estes, à chegada dos "Bordaleses", viram-se relegados para uma posição de segundo plano. Pela conflitualidade que gerava, cedo se revelou uma instituição que ameaçava o bom seguimento da nova política que caracterizou a segunda parte do reinado de D. João III. Por isso, a Inquisição encontrou no Colégio um ótimo terreno de atuação na detenção e perseguição de vários professores, acusados de tendências protestantes. Os integristas, que defendiam uma abertura cultural e religiosa, foram intensamente combatidos pelos seus opositores, que igualavam a causa de Erasmo com a de Lutero e, por isso, achavam que a abertura preconizada não era possível mantendo simultaneamente a ortodoxia.
O Colégio iniciou as suas funções em 1548, em instalações provisórias situadas no Colégio de Todos os Santos e de S. Miguel. Os "Parisienses" acusaram os "Bordaleses" de heresia e dificultaram a ação a André de Gouveia, que viria a morrer tempos depois. Sucedeu-lhe Diogo de Gouveia Júnior, sobrinho de André de Gouveia Sénior, que aparentemente dava a vitória aos "Parisienses" mas, a breve trecho, reacenderam-se velhas querelas. Os "Bordaleses" acabaram por ser vítimas do Santo Ofício e Diogo de Gouveia foi destituído do cargo. O ambiente que se vivia - implantação da Inquisição, atividade do Santo Ofício, adoção das medidas do Concílio de Trento - isolou a ação do Colégio das Artes com dificuldades em manter a continuidade dos projetos culturais mais avançados.
O Colégio foi entregue aos Jesuítas (1555) e entra em conflito com a Universidade relativamente à concessão de graus académicos. Tornou-se um instrumento da Contrarreforma e acabou por perder a sua autonomia, levando à sua natural extinção, acelerada quando os Jesuítas decidiram fundar em Évora outro tipo de universidade.
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