Combates e Críticas (1875-1881)

Importante coletânea de artigos de Silva Pinto dispersos pela imprensa, publicada em 1882 e prefaciada por Camilo Castelo Branco. O volume abre com o célebre estudo "Do Realismo na Arte. Eça de Queirós - Bento Moreno", inicialmente publicado em 1877, onde Silva Pinto distingue a escola psicológica (de Balzac e Stendhal) da escola fisiológica (de Flaubert e Zola), filiando Eça na primeira e afirmando a sua preferência pela mesma. Nesse ensaio, bem como em "'O Primo Basílio' por Eça de Queirós", o autor manifesta-se contra a interpretação "intransigente" das novas fórmulas realistas, de que acredita terem resultado as "aberrações", a "materialidade" e a "fisiologia fotográfica" que caracterizam grande parte das novas produções. Considera a "observação exterior" "um subsídio e não um ponto de apoio" e insiste que "a arte moderna tem de ser espiritualista", defendendo a necessidade da intervenção do artista no processo subjetivo de interpretação e criação. Da coletânea salientam-se vários artigos consagrados à obra camiliana, como "Camilo Castelo Branco e 'A Corja'", onde se transcrevem os artigos da polémica entre Camilo, Alexandre da Conceição e o próprio Silva Pinto, bem como diversos textos sobre a arte teatral, que incluem recensões a peças de António Enes, Carlos Borges e Teixeira de Queirós. Interessantes se afiguram também os estudos "Os 'Cânticos da Aurora'" e "Os 'Cânticos da Aurora' e a Crítica de Sacristia", em que se parte da análise do volume de poesias de Narciso de Lacerda para "considerações sobre a poesia contemporânea".
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