Comércio de Especiarias

As especiarias abrangem um vasto leque de produtos comerciais, na sua maioria de origem vegetal, e uma minoria de origem animal, que são utilizados como condimentos da cozinha, nas mezinhas, como mascatórios, excitantes ou drogas, para perfumar ou para tingir produtos. Algumas das especiarias podem, aliás, concentrar várias destas funções ou aplicações.
Na Idade Média, estes produtos tinham já uma larga difusão, apesar de serem raros e por isso muito dispendiosos. Aliás, a preciosidade e raridade das especiarias fazia aumentar a procura por parte dos mercadores, uma vez que o seu comércio lhes trazia avultados lucros.
Na África, os mercadores encontravam a pimenta vermelha, também chamada malagueta, na Gâmbia e no Golfo da Guiné. Nesta última região havia igualmente uma variedade da pimenta preta indiana. Na Ásia havia, sobretudo, seis tipos de especiarias: a pimenta, o gengibre, a canela, o cravo, as maçãs e a noz moscada, provenientes da costa de Malabar (costa ocidental) na Índia, através do entreposto de Calecute; de Ceilão, do Noroeste de Sumatra (Aceh), das ilhas Comores (estas na África Oriental); das ilhas da Banda (Java, por exemplo, ou Balí) e do arquipélago das Molucas. Curiosamente, todos estes lugares foram "descobertos" e controlados pelos portugueses durante o período da sua expansão marítima, proporcionando uma das suas maiores riquezas. Na verdade, este monopólio das especiarias africanas e, sobretudo, das asiáticas, rendia à coroa portuguesa à volta de 89% de lucro líquido, o que justificava o esforço e as despesas com este comércio marítimo asiático no século XVI.
O crescimento deste comércio foi ininterrupto desde o momento em que os portugueses trouxeram malagueta africana para Lisboa, depois de 1450, até ao final do seu domínio asiático, que decaíu a partir da segunda metade do século XVI.
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