comportamento de massas

O fenómeno do comportamento de massas é explicado como sendo agrupamentos humanos espontâneos e, portanto, imprevisíveis, transitórios e desprovidos de organização interna. É um fenómeno produzido pela soma das ações individuais das pessoas espalhadas e sem contacto direto e contínuo mas que vão na mesma direção. Por exemplo, as pessoas que andam pela rua, os ouvintes de um programa de rádio e os espectadores de uma peça de teatro constituem um tipo de massa.
Os primeiros estudos sobre as massas baseavam-se no comportamento anormal das pessoas em dada situação, mas, em 1895, o médico e sociólogo francês Gustave Le Bon publicou um livro Psicologia das Massas (Psichologie des Foules, 1895) que de um ponto de vista psicossocial, ou seja, centrado no comportamento das pessoas em certas circunstâncias, explica que quando as pessoas fazem parte de uma massa deixam de ser elas próprias para fazerem parte do que ele chamou "alma da massa" ou espírito coletivo diferente do espírito individual de cada um dos indivíduos que fazem parte do fenómeno.
Este termo costuma ser diferenciado do conceito de grupo (porque este último possui uma organização interna o que não acontece nos agrupamentos massivos) e do conceito de multidão (fenómeno ordenado que depende da atuação das pessoas como um grupo). Existem diferentes tipos de fenómenos de massas que podemos encontrar reunidos em dois grupos principais: o grupo com proximidade física, ou seja, em que há contacto direto entre as pessoas, e o grupo de massas sem proximidade física.
O grupo de massas com proximidade física subdivide-se em massas agregadas e massas desagregadas. No primeiro caso, as pessoas encontram-se agrupadas por um interesse comum, tal como acontece, por exemplo, nas turbas e nos públicos. As turbas são massas agregadas de carácter ativo e em geral violentas que podem ser classificadas de agressivas (por exemplo, um protesto), evasivas (por exemplo, no caso de um incêndio), aquisitivas (como no caso dos saldos ou liquidações) e expressivas (como, por exemplo, reuniões religiosas). Por sua vez, os públicos são massas ordenadas e passivas que prestam atenção a alguém ou a um acontecimento. As pessoas encontram-se agrupadas em determinado local por mera coincidência (como, por exemplo, as pessoas que passeiam nas ruas).
O grupo de massas sem proximidade física, também conhecido pelo grupo de massas difusas no espaço e no tempo, engloba todas as situações em que as pessoas não se veem, não se ouvem ou falam, não se conhecem e não sabem precisamente quantas são. Por exemplo, quando num mesmo momento, assiste-se ao mesmo programa de televisão ou ouve-se o mesmo programa de rádio.
Existe ainda um grupo especial deste fenómeno denominado de grupo das massas complexas. Aqui incluem-se as manias coletivas (como, por exemplo, a moda), os motins populares (como no caso do racismo), os movimentos sociais (tal como o movimento feminista) e a síndrome catastrófica que constitui o mais vasto fenómeno de massas (tal como acontece na ocorrência de um terramoto ou numa situação de guerra).
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