comprimido (farmácia)

Os comprimidos constituem uma forma de apresentação farmacológica de medicamentos, no estado sólido.
O comprimido é uma pastilha, formada através de processos de compressão, em cuja composição constam dois elementos principais: a substância ativa, com ação médica, sob a forma de pó, e uma substância inativa, geralmente com propriedades aglutinantes, o excepiente. O seu fabrico em série faz-se pela compressão de volumes idênticos de partículas, o que garante uma elevada precisão no doseamento e uma elevada rapidez de elaboração.
O comprimido destina-se a ser ingerido por via oral, juntamente com água, que facilita a descida até ao estômago. A ingestão a seco ou com pouca água não é recomendada, já que pode originar irritações na parede do tubo digestivo, nomeadamente no esófago, ou ficar retido ao longo deste. Existem várias formas farmacêuticas de comprimidos, distinguíveis não apenas pela composição mas também pelo modo de administração. Para além do comprimido destinado à ingestão, existem as pastilhas orais, que se destinam a ser dissolvidas na boca e não ingeridas, os comprimidos sublinguais, os mastigáveis e os efervescentes. As cápsulas distinguem-se dos comprimidos por apresentarem um revestimento externo resistente ao suco estomacal, abrindo-se apenas no intestino delgado, onde libertam o seu conteúdo.
A utilização dos comprimidos como forma de administrar medicação apresenta diversas vantagens. Podem-se referir a facilidade de ingestão, o baixo custo, a possibilidade de administrar doses unitárias rigorosamente quantifcadas e um fácil transporte e preservação. Como limitações, o tamanho das doses que é possível administrar, a impossibilidade de comprimir todo o tipo de medicamentos, a baixa solubilidade de alguns compostos e a irritação provocada por outros ao nível do trato digestivo. Além disto, apenas podem ser ministrados a pacientes conscientes e com o reflexo de deglutição funcional.
Os comprimidos são usados desde a Antiguidade, sendo uma das primeiras referências feitas na Enciclopédia de História Natural, de Plínio, no ano 77 d. C. A primeira patente de um mecanismo que permita a produção, em grande escala, de comprimidos data de 1843.
Em Portugal, o fabrico de comprimidos processou-se, de um modo significativo, apenas após o século XIX, através da Companhia Portuguesa de Higiene (fundada em 1891), que iniciou a produção destes em 1893.

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