Conceptismo

O Barroco, na literatura, afirma-se em duas vertentes: a do conceptismo (também designado, por vezes, conceitualismo e conceptualismo) e a do cultismo. Apreciemos as linhas que caracterizam o primeiro comportamento literário.
Estamos perante um estilo que se caracteriza pelo culto excessivo dos conceitos num trabalho da inteligência que se aplica a forjar autênticos labirintos para o pensamento. Verney, na sua crítica a este requintado malabarismo intelectual dos poetas seiscentistas, disse: «Quando vejo um poeta destes, que se servem de expressões que nada significam, ou que compõem de sorte que o não intendem, assento que não quis ser intendido, e, em tal caso, procuro fazer-lhe a vontade. Com esta sorte de homens faço o mesmo que com os labirintos e enigmas, etc., os quais nunca me cansei em decifrar». Não há dúvida de que a poesia perde em beleza e simplicidade o que ganha em artificialidade e ineditismo, tornando-se hermética, obscura. A Espanha conheceu a superioridade do conceptismo de Quevedo, conceptismo de que Baltasar Gracián foi o grande teorizador. Em Portugal, este movimento afirma-se, principalmente, nos Sermões do Pe. António Vieira, muito embora na poesia de um D. Francisco Manuel de Melo seja também notório o culto do conceptismo.
O comportamento que caracteriza, em especial, os poetas do século XVII teve remotos precedentes no Cancioneiro Geral, onde, na poesia de Álvaro de Brito e Fernão da Silveira, a par da subtileza do conceito, despontam as perífrases, os trocadilhos, os pleonasmos, as transposições e a consequente obscuridade. No século XVI, na poesia camoniana, que vemos tão ligada à lírica medieval, há já um dealbar expressivo do amaneirado seiscentista, especialmente na poesia que o convívio da Corte motivou. E é na redondilha que mais se evidencia o artificialismo, oferecendo-nos nela Luís de Camões uma poesia mais impessoal, mais produto do engenho e do meio em que se movia, do que uma poesia vinda de dentro. Pode, pois, dizer-se que Camões é o traço de união entre a sobriedade do Classicismo e a proliferação barroca.
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