Conde Duque de Olivares

Gaspar de Guzmán y Pimentel Ribera Velasco e Tovar, primeiro-ministro espanhol (conde Olivares por herança paterna e duque de Sanlúcar de Barrameda por mercê real) e favorito de Filipe IV; nasceu em 1587, em Roma, onde viveu vários anos; estudou em Salamanca; homem de reputada formação humanista, foi arcediago de Ecíja e cónego de Sevilha; contudo, viria a abandonar a vida religiosa entrando na corte do infante Filipe em 1615. Será primeiro ministro de Espanha por vinte anos, desde a subida ao trono de Filipe IV em 1621; desde esta altura o governo está nas suas mãos; de imediato anuncia grandes reformas administrativas e exila, prende e elimina as figuras mais destacadas do reinado anterior, como D. Rodrigo Calderón que é degolado. Além do título referido, torna-se camareiro-mor do reino, grande escudeiro e chanceler das Índias. Constrói uma enorme fortuna, enriquece a família e dá à corte de Espanha uma magnificência inaudita à custa de enormes sacrifícios dos súbditos. O seu principal objetivo político, aparentemente, era unificar os diversos reinos da Península Ibérica; procurou igualmente travar o declínio industrial e comercial ibérico, o que não se afigurava tarefa fácil pois a mentalidade aristocrática espanhola escarnecia das profissões mercantis. As medidas centralizadoras que aprovou, sempre com o apoio do monarca, pretendendo anular a personalidade das cidades e povos que formavam a monarquia espanhola, desrespeitando, portanto, as suas liberdades provinciais, suscitaram revoltas na Catalunha e em Portugal no ano de 1640 e uma conspiração frustrada na Andaluzia no ano seguinte. Em termos de política externa aspirava por alianças que possibilitassem o retorno da hegemonia da Espanha e da Áustria dos Habsburgos. No entanto, o desenrolar da Guerra dos Trinta Anos (em que este ministro envolvera a Espanha pressionado pela fação militarista), com as vitórias da França e o esgotamento das finanças espanholas impediram esse desiderato. Depois da destruição da armada espanhola (1639) e da perda do Rossilhão (1640), as intrigas da corte de Madrid, inspiradas por Isabel de França, e a incompetência e bravata reveladas na liderança do governo forçaram Filipe a retirar o apoio ao seu antigo favorito em 1643 e a exilá-lo em Toro; corriam rumores de que a Inquisição o investigava; as crónicas contam que morreu aí, humilhado, dois anos depois.
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