condicional

Tradicionalmente apresentado como um modo, o condicional é muitas vezes entendido como um tempo (C. Cunha & L. Cintra, 1984, in Nova gramática do português contemporâneo, Lisboa, Sá da Costa, incluem o condicional, que designam por "Futuro do Pretérito", no modo indicativo). As razões que conduzem à tese do condicional como tempo prendem-se com o facto de o condicional simples poder ser muitas vezes substituído pelo pretérito imperfeito do indicativo em português europeu:

i) Gostaria de ir à Índia. (Condicional Simples)
ii) Gostava de ir à Índia. (Imperfeito Indicativo)
Na qualidade de modo, o condicional exprime o irreal, um desejo, ou a atenuação de uma afirmação:

iii) Se ganhasse o prémio, faria uma viagem.
iv) Gostaria de visitar a China.
v) Eu não sei se diria isso.

Morfologicamente, o condicional apresenta dois sistemas flexionais:

• Condicional Simples ou Presente (gostaria)
• Condicional Composto ou Perfeito (teria gostado)

Nota: Seguindo os critérios da TLEBS existe um futuro do pretérito composto do indicativo e não um condicional composto.

A semanticista Fátima Oliveira (2003), in Gramática da Língua Portuguesa, Lisboa, Caminho (pp. 256-257), defende que o condicional funciona mais frequentemente como um modo do que como um tempo em português europeu, em especial nas situações em que o ponto de referência temporal não é o passado. Nos exemplos vi e vii, pode constar-se que é a dimensão modal da probabilidade, da hipótese, que é expressa pelo condicional:

vi) O presidente pode convocar novas eleições, mas isso acentuaria a instabilidade política.
vii) Se soubesse o que sei hoje, não teria feito aquela escolha.
Como referenciar: condicional in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-11-21 08:16:54]. Disponível na Internet: