conservação e restauro de arte

Quase todas as reflexões filosóficas em torno dos processos de conservação e restauro de obras de arte prendem-se com questões ligadas à ideia de autenticidade. No entanto esta autenticidade podia indicar a preservação da matéria original, intocada (pelo que se deveria tocar o menos possível no artefacto por forma a não destruir a essência original e a informação histórica que esta continha) ou, pelo contrário, procurar reconstruir a estrutura primitiva da obra de maneira a garantir-se a sua autenticidade formal e a preservação da ideia do artista que a criou. Estas duas posturas antagónicas, formuladas no decorrer do século XIX permitiram desenvolver inúmeras metodologias de intervenção, proporcionando material para discussão e debate que não se encontra ainda encerrado.
A ação de conservação e restauro de obras de arte encerra, na especificidade do seu enquadramento disciplinar, um sem número de questões filosóficas que têm potenciado a formulação de inúmeras teorias de intervenção. De facto, na prática, estes dois conceitos genéricos encontram-se diluídos numa série de operações com recortes conceptuais bastante dúbios que têm resistido às várias tentativas de âmbito internacional para cristalizar os seus significados e âmbitos metodológicos. Associados às ações de conservação indicam-se trabalhos de consolidação, manutenção e preservação de elementos. O restauro aponta para operações de maior impacto sobre a estrutura física das obras de arte e inclui a libertação, recomposição ou reconstrução de peças, assim como a sua substituição (operação que altera a qualidade e autenticidade material da obra). Um dos métodos mais radicais de restauro é a reintegração em estilo (também conhecida pelo termo "Ripristino") que procura refazer partes que tenham desaparecido ou que estejam alteradas relativamente ao estado original de forma a reencontrar a sua unidade estilística.
Reabilitação, renovação, revitalização ou reutilização são termos que, embora aplicados em arquitetura, enformam muitas das intervenções em espaços e tecidos urbanos.
A ideia de intervenção no sentido da valorização implica um olhar para a obra de arte como sendo um bem cultural que poderá ser valorizado de uma perspetiva quase economicista. É um dos conceitos mais empregues no final do século XX e procura sintetizar, com alguma neutralidade no alcance conceptual, muitas das anteriores metodologias de conservação e restauro obras de arte móvel, de vestígios arqueológicos e de arquitetura.
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