Constantinopla I

Segundo concílio ecuménico, reunido em Constantinopla entre maio e julho de 381, convocado pelo imperador oriental Teodósio, com o intuito de encontrar novos meios para combater a heresia ariana, que estava a ser velozmente propagada, e de debater a importância eclesiástica que se deveria atribuir àquela região.
Neste concílio ecuménico (assim chamado apesar de apenas terem participado clérigos orientais, que totalizavam cerca de 150) foram discutidas questões como a vontade de conceder uma importância e dignidade eclesiásticas a Constantinopla similares às de Jerusalém, Roma, Antioquia e Alexandria, sendo aqui plantada a semente de um conflito, sobretudo com Roma (que se considerava a única e inigualável Sede Apostólica), que se estenderia por séculos. Por outro lado, pôs-se o problema da propagação do arianismo (devido em grande parte aos imperadores Constâncio e Valente), apesar da condenação do I Concílio de Niceia e, ainda mais grave, o de esta heresia ter baseado o macedonianismo (doutrina criada pelo bispo Macedónio de Constantinopla entre 342 e 360), que negava o Espírito Santo como parte da divindade de Deus.
Melécio de Antioquia presidiu o concílio, tendo falecido entretanto e sido substituído pelo bispo de Constantinopla, Gregório de Nazianzeno. Este, pouco depois destituído do seu cargo, foi ainda substituído pelo senador Nectário, que imediatamente recebeu o batismo e a ordenação episcopal. Durante estas cerimónias foi lido o símbolo niceno-constantinopolitano (que teve as suas bases na oração que se rezava durante o batismo na Igreja de Jerusalém), onde constava o seguinte: Senhor e vivificador, que procede do Pai, que com o Pai e o Filho é igualmente adorado e glorificado, que falou pela boca dos profetas, referindo-se ao Espírito Santo.
Foram também aprovados quatro cânones relativos à disciplina, condenando o primeiro as heresias e reafirmando o estabelecido no concílio de Niceia, obrigando o segundo os bispos a interferirem apenas nos assuntos das suas dioceses, no terceiro afirmava-se a primazia da sede de Constantinopla a seguir à de Roma (o que foi por esta contestado) e no último invalidava-se a atribuição do título de bispo a Máximo (aliado de Gregório de Nazianzeno).
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