Contos

Compilação póstuma de narrativas dispersas pela imprensa, compostas entre 1874 e 1898, organizada por Luís de Magalhães. São elas: "Singularidades de uma rapariga loura", "Um poeta lírico", "No moinho", "Civilização", "O tesouro", "Frei Genebro", "Adão e Eva no paraíso", "A Aia", "O Defunto", "José Matias", "A perfeição" e "O suave milagre". Eça, que deixou fragmentos doutrinários sobre o conto, nomeadamente no prefácio dos Azulejos do conde de Arnoso, onde preconiza "esta maneira de pintar a verdade, levemente esbatida na névoa dourada e trémula da fantasia, satisfazendo a necessidade de idealismo, que todos temos nativamente, e ao mesmo tempo a seca curiosidade do real que nos deram as nossas educações positivas", oscila, nos seus contos, entre a fantasia e a positividade do real, entre a imaginação e o realismo, chegando a situar algumas narrativas, como "A aia" ou "O tesouro", num cenário fantástico e medieval. Os temas tratados são muitos dos que povoam a ficção romanesca do autor: o adultério ("No moinho"); a impossibilidade da realização do amor ("Um poeta lírico", "José Matias"); a figura de Jesus como símbolo de bondade e de amor ("O suave milagre"). Se muitos críticos consideram que é nos contos que mais claramente se revelam as qualidades de escritor de Eça, é também inegável que alguns deles servem de ponto de partida para futuros romances, como acontece com "No moinho" e "Civilização" em relação a O Primo Basílio e a A Cidade e as Serras.
Como referenciar: Contos in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-11-15 02:22:37]. Disponível na Internet: