Contos
Volume póstumo organizado e prefaciado por José Simões Dias, amigo do autor, que reúne seis contos anteriormente publicados nos periódicos A Academia, Revista de Coimbra e O Povo: "O punhal de Rosaura", "Os canibais", "A febre do jogo", "A Vestal", "Honra antiga" e "J. Moreno".
As narrativas, onde o tema da morte, sempre revestida de contornos macabros e tenebrosos, é omnipresente, oferecem histórias de vingança (como "Honra antiga", a vingança cruel e doentia de um velho fidalgo contra o sedutor da sua filha) e de sexualidade aberrante (como "A vestal", o caso de uma rapariga virgem que prefere as carícias do seu cão às do seu apaixonado).
O fantástico propriamente dito, implicando a indefinição de fronteiras entre o delírio e a realidade, as intervenções do sobrenatural, na esteira de Hoffman, Mérimée e Poe, irrompe em "A febre do jogo", "O punhal de Rosaura" e "Os canibais". Nos dois primeiros, os protagonistas, Everardo e Mariano, depois de terem levado à morte respetivamente a amante e o pai, veem-se a braços com o seu sentimento de culpa, que lhes infunde terrores sobrenaturais.
No terceiro, que é porventura o mais célebre conto de Álvaro do Carvalhal, intitulado originalmente "A estátua viva", o visconde de Aveleda, uma estátua animada, na noite do seu noivado com Margarida, decide pôr termo à vida, rebolando-se no fogo aceso da lareira; mais tarde, os parentes da noiva regressam a casa e devoram os restos do visconde. "J. Moreno", narrativa que muitos críticos consideram autobiográfica, tem como protagonista um jovem que, vítima de uma doença incurável e ciente da sentença de morte que pesa sobre si, vem a morrer nos braços da noiva na noite do casamento.
O estilo dos Contos, artificial e algo obsoleto, revelando a influência dos autores neoclássicos, que Álvaro do Carvalhal admirava, tende a acentuar a estranheza das histórias e a favorecer o efeito de irrealismo da maior parte delas.
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