Convento de N. Sra. da Conceição

Do antigo convento quatrocentista dedicado a N. Sra. da Conceição subsiste apenas a igreja, o claustro e a sala do capítulo, pois todas as demais dependências desapareceram. Apesar da destruição de algumas áreas e da modificação de outras, este convento da cidade de Beja ainda deixa perceber as linhas arquitetónicas e decorativas do gótico final quatrocentista.
A sua fundação aconteceu em 1459 sob o patrocínio do 1.o duque de Beja, D. Fernando (filho do rei D. Duarte), e da sua esposa D. Beatriz, cujos seus restos mortais descansam nesta casa religiosa. Localizava-se nas proximidades do seu palácio, à Rua dos Infantes, destinando-o os duques de Beja às freiras clarissas. Intimamente ligados ao convento estão os seus descendentes diretos - a rainha D. Leonor, mulher de D. João II, e o 2.o duque de Beja, o futuro rei D. Manuel I.
Este rico convento demorou a ser concluído, já que em 1470, ano da morte do seu fundador, ainda não tinham terminado as obras. Afirmando a estrutura formal nos cânones do gótico ogival e ao nível da decoração influenciado pelo manuelino, N. S. da Conceição foi acrescentado e modificado nos séculos seguintes pelos vários titulares do ducado de Beja. Extinto por decreto no liberal século XIX, bem assim como tantas outras casas religiosas nacionais, este convento da capital do Baixo Alentejo foi convertido em Biblioteca Municipal em 1923, remodelado posteriormente para acolher o atual Museu Rainha D. Leonor, guardando um notável acervo de escultura em pedra, pintura, cerâmica e azulejaria, entre outras coleções.
A fachada noroeste desenvolve-se em dois corpos e apresenta o portal principal. Marcando o módulo do coro pode observar-se no piso térreo um arco ogival, ladeado por dois medalhões renascentistas, protegendo um desadornado portal encimado por frontão de arco conopial com o tímpano preenchido por escudos nacionais e heráldica de D. Manuel I. O andar superior é marcado por varanda manuelina de quadrilóbulos e platibanda rendilhada com pináculos cónicos espiralados, rasgando-se na parede uma janela mudéjar geminada, de arco em ferradura e moldurada por alfiz retangular, obra que pertenceu ao desaparecido e contíguo Palácio dos Duques de Beja.
Prolonga-se pelo corpo da igreja o decorado parapeito da varanda manuelina, enquanto a parte inferior se abre em loggia de arcos ogivais, divididos por contrafortes chanfrados. Sobressai da volumetria arquitetónica do conjunto a alta e esbelta torre sineira, com decoração manuelina e cobertura de octógono piramidal cogulhada.
De forma retangular é a cabeceira da igreja, salientando-se o decorativismo expressivo das gárgulas do seu beiral.
O interior apresenta uma única nave coberta por ampla abóbada de berço, com o coro baixo marcado por profundo arco abatido. As paredes do lado direito são preenchidas por três fabulosos retábulos barrocos de talha dourada e um quarto retábulo, este último concebido em marmóreos mosaicos italianos, datado de 1695 e realizado por José Ramalho. No lado contrário, a parede é preenchida por belos painéis de azulejos barrocos azuis e brancos, narrando episódios da vida da Virgem e de S. João Batista, obra atribuída à oficina de Bartolomeu Antunes e datada de 1741.
Revestindo integralmente toda a superfície da capela-mor, a barroca talha dourada realiza aqui grandiosa composição retabular, deixando ver o seu magnífico trono.
Adossado à parte sudoeste da igreja desenvolve-se o agradável e harmonioso claustro de galerias mistas, uma das partes coberta por abóbadas nervadas e com os fechos decorados, enquanto a outra parte apresenta abóbadas de berço com arcos torais, ambas decoradas por variados arcos retabulares, portais, altares e panos com magníficos azulejos padronizados, dos séculos XVI e XVII.
Acede-se à soberba Casa do Capítulo através de um portal ogival, inserido numa das faces das galerias do claustro, obra quatrocentista com cobertura de abóbadas de aresta e apoiada por coluna central em mármore. Os tetos foram pintados em 1727 e apresentam movimentados enrolamentos e motivos barrocos fitomórficos, enquanto os bancos corridos em pedra são revestidos por azulejos sevilhanos de aresta, datados do início do século XVI.
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