Convento de S. Bento de Cástris

Situado no Monte de S. Bento de Cástris, a cerca de dois quilómetros da cidade de Évora, este notável convento albergava uma comunidade feminina da Ordem de Cister.
Fundado em 1274 e com a sua igreja consagrada em 1328, o cenóbio seria totalmente remodelado no reinado de D. Manuel I, sendo dessa época os sinais mais marcantes da sua arquitetura, isto apesar de campanhas posteriores.
Através de um portal barroco, com a data de 1636 e marcado pelo brasão de armas cisterciense, acede-se ao pátio da Carruagem, a partir do qual se estabelecem as ligações com as diversas dependências conventuais. Antecede a igreja um alpendre de arcos ogivais e com a galeria abobadada. O interior do templo é constituído por corpo de uma só nave coberta por abóbadas de ogiva marcadas por nervuras artesoadas, com fechos dourados e ostentando as armas de D. Manuel I e dos Almeidas, protetores do cenóbio, e as secções pintadas com temas de cariz naturalista. Painéis de azulejos lisboetas da segunda metade do século XVIII forram a parte inferior das paredes da nave e da capela-mor, aludindo a episódios da vida de S. Bernardo. O primeiro tramo da nave é marcado pelo coro alto, sobrevivendo no subcoro a abóbada de ogivas. Na parte alta estão expostos diversos quadros de diferentes épocas e que mostram temas hagiográficos.
Na capela-mor pode observar-se o vão que corresponde à entrada do coro baixo, gradeado por ferro forjado. Não possui o antigo cadeiral, mas nota-se ainda um belo teto de caixotões, decorados por policromados alto-relevos do século XVI. A capela-mor é coberta por uma abóbada de estuque pintada, expondo um imponente retábulo rocaille em talha dourada.
Das diversas dependências conventuais que constituem este harmonioso convento, algumas merecem um destaque especial. Assim, a entrada da Sala do Capítulo é ainda formada por portal trecentista de arco quebrado e ladeado por duas janelas góticas, de idêntica configuração. Está coberta por uma abóbada de nervuras dos inícios do século XVI, mostrando nos bocetes esferas armilares e brasões da família Almeida.
Do século XVI é parte da antiga enfermaria, ampla sala de duas naves e repartida em nove tramos, cujas colunas dóricas em granito sustentam as abóbadas de nervuras em aresta viva. Ainda do século XVI, mas já dos seus finais, é o extenso refeitório com o seu teto de caixotões pintado com frescos sagrados e profanos.
O claustro, de forma trapezoidal e repartido em dois andares, foi começado nos finais do século XV e concluído em 1520 por Estêvão Lourenço. Nos finais do século XVIII foi necessário consolidar e reconstruir parte do claustro já que ameaçava ruína, tendo mesmo uma ala derruído em 1825.
A zona primitiva é marcada por galeria gótico-mudejar de arcos geminados em ferradura sobre colunas capitelizadas com motivos antropomórficos e vegetalistas, ritmados por robustos e altos contrafortes. As galerias são cobertas por abóbadas baixas e nervuradas. O andar superior apresenta arcadas abatidas, na zona renovada, enquanto a parte manuelina original é ritmada por arcos plenos.
A zona central do pátio claustral apresenta uma fonte de linhas clássicas, feita em branco mármore, desenhando uma taça retangular com um obelisco. Num dos ângulos deste pátio é ainda visível uma fonte em forma de concha e com a figuração de um golfinho.
Este convento foi decretado Monumento Nacional ( M.N.) em 1922, vindo a integrar desde 1962 uma Zona Especial de Proteção (Z.E.P.).
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