Convento de Santa Clara

O Convento de Santa Clara de Santarém erguia-se extramuros do burgo medieval escalabitano e foi fundado cerca de 1264, por iniciativa de uma filha de D. Afonso III, D. Leonor Afonso, nobre senhora que vestiu o hábito das freiras clarissas. Do cenóbio mendicante, de traçado arquitetónico do gótico inicial ducentista, apenas subsiste a monumental e despojada igreja conventual, provavelmente ampliada no reinado de D. Dinis.
Obras de restauro e de reintegração conduzidas neste século pela Direção-Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais (D.G.E.M.N.) sustiveram a destruição da igreja mas subverteram gravemente a sua leitura de conjunto e o espírito religioso que emanava das diversas campanhas artísticas. Despojado das suas maiores riquezas interiores, como o retábulo quinhentista de Diogo de Contreiras, o cadeiral do coro (c. 1600), os seus exuberantes altares em talha, o revestimento de azulejaria e as esculturas barrocas em madeira, as paredes deste grandioso templo gótico ficaram incomparavelmente mais pobres.
De elevado alçado exterior, a igreja é reforçada por contrafortes no topo poente, rasgando-se nesse pano uma elegante rosácea radial, com as suas arquivoltas decoradas por besantes e encimada por moldura pétrea esmaltada com um armoriado brasão régio. Sobressai da empena a torre sineira. As paredes laterais do corpo da igreja são ritmadas por janelas ogivais geminadas, revelando-se no largo transepto uma fenestração gótica de grandes proporções e de dois lumes, sobrepujados por abertura circular quadrifoliada. A cabeceira é escalonada em cinco volumes arquitetónicos desiguais, com a sua abside poligonal reforçada por contrafortes, entre os quais se rasgam grandes janelas ogivais geminadas, amparando-se nas paredes exteriores da ousia os quatro absidíolos colaterais.
O interior é amplo, constituído por três naves, a central de maior altura e coberta por teto de madeira. Os pilares e colunas sustentam uma arcaria gótica que divide os sete tramos do corpo.
A arca tumular de D. Leonor Afonso é uma obra do século XIV e foi desenterrada nas obras de reintegração da igreja. Os restos mortais da nobre senhora repousam num outro austero túmulo brasonado e lavrado ao gosto da Renascença tardia, encontrando-se esta arca sepulcral adossada à parede de fundo do templo.
A abside desenha uma planta poligonal e está coberta por uma abóbada ogival nervurada, repousando em severas pilastras cruciformes, preenchidas com pinturas a fresco de brutescos seiscentistas. Lateralmente, abrem-se os quatro menores e desadornados absidíolos da cabeceira.
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