Convento de Santo António

Localizado nas proximidades do castelo de Beja, o Convento de Santo António foi uma obra edificada com o contributo do povo bejense, do Duque de Bragança, D. Teodósio II, e também do nobre eborense D. Álvaro de Miranda Henriques. A primeira pedra foi lançada no dia 14 de julho de 1609 e o Convento foi consagrado cerca de dois anos mais tarde, em 1611.
Abandonado e degradado após 1834, em 1848 é ocupado pelo Ministério da Guerra que instala aí o Hospital Militar, e posteriormente, o Distrito de Recrutamento e Reserva. Após 1956, sucederam-se obras de restauro que abriram a igreja ao culto e instalaram-se nas antigas dependências conventuais o Patronato de Santo António, com ensino pré-primário e primário sob a supervisão das irmãs Oblatas do Coração de Jesus.
De acordo com a vivência desta ordem mendicante, o cenóbio é simples e pobre. A sua igreja mostra uma frontaria formada por nártex de três arcadas de volta perfeita, protegendo o singelo portal da entrada. Por cima deste nártex rasga-se janelão envolto por decoração de estuques. Ao nível da empena desenha-se um frontão de linhas curvas e volutas superiores, com o tímpano preenchido por óculo cego. Nos ângulos da cimalha elevam-se dois pequenos campanários terminados por frontões curvos e encimados por pequenos acrotérios. Desenhando um módulo retangular, a nave do templo é coberta por abóbada de berço. Retirada parte substancial da sua decoração interna, a igreja franciscana de Sto. António foi redecorada após 1956, com algumas obras de arte que vieram de outros conventos extintos.
Assim, podemos ver dois retábulos laterais de talha dourada "rocaille", da 2.ª metade do século XVIII, consagradas aos Sagrados Corações de Jesus e de Maria, estruturas que vieram da igreja da Misericórdia. Nas paredes da nave expõem-se quatro óleos sobre tela alusivos a temas religiosos, como o de Santo António recebendo o Hábito das Mãos de S. Francisco de Assis, datado do século XVII, e as restantes pinturas obras do século XVIII.
A capela-mor é coberta por abóbada de meio canhão, ornada por pintura a fresco com a data de 1700, composta de barroca e movimentada decoração fitomórfica e de anjos, rodeando o medalhão central com a representação do Milagre da mulinha venerando o S. Sacramento. O retábulo de talha dourada é uma obra da 2.ª metade do século XVIII, da transição do triunfante barroco joanino para o assimétrico "rocaille", tendo vindo as suas diversas partes da Misericórdia de Beja.
Das dependências conventuais, o claustro impõe-se como a sua parte mais importante; desenhando uma planta retangular, é uma obra seiscentista reformulada posteriormente. As galerias inferiores são formadas por arcaria de volta perfeita assentes em robustos pilares, enquanto o piso superior é constituído por arcos envidraçados. Desta severa claustra partiam os acessos às restantes instalações conventuais de Santo António de Beja.
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