corante

O corante é um produto inorgânico ou orgânico que dá cor a matérias vivas ou inertes.
Possui uma estrutura complexa e apresenta na sua fórmula de estrutura grupos portadores, produtores, reforçadores, intensificadores e enfraquecedores da cor.
Os corantes apresentam numerosas aplicações, com especial destaque para as indústrias têxtil, alimentar e cerâmica. A utilização dos corantes remonta à Antiguidade, altura em que foi descoberto o primeiro corante: o índigo. Este possui cor azul e a sua molécula é formada por quatro anéis encadeados que contêm, além de átomos de carbono, hidrogénio e oxigénio, dois átomos de azoto. Importância semelhante ao índigo tinha a rubiácea, planta cultivada sobretudo no Sul de França, Bélgica e Turquia, a partir da qual se fabricava a alizarina, um corante muito procurado. A alizarina tinha como função o tingimento das calças vermelhas do exército francês.
Durante muitos séculos empregaram-se exclusivamente corantes naturais extraídos de animais, de plantas ou de minerais, até que em 1856 W. Perkin descobriu o primeiro corante sintético, a malveína, quando realizava experiências sobre a síntese da quinina. A partir dessa altura iniciou-se o desenvolvimento da indústria dos corantes sintéticos.
De acordo com a sua origem, os corantes podem ser naturais ou sintéticos. Os corantes naturais provêm de animais, plantas ou minerais e podem dividir-se em corantes vegetais, como a alizarina, o índigo e a clorofila, corantes minerais inorgânicos e corantes animais, como a conchinha, a púrpura, a hemoglobina e os pigmentos de pele e do cabelo.
Os corantes sintéticos apresentam uma composição química semelhante à dos corantes naturais, mas são obtidos em instalações industriais e têm a sua principal aplicação na indústria têxtil. Entre eles salienta-se os corantes azoicos, corantes do indantreno, da tiazina, as cianinas e os corantes do trifenilmetano. Para a produção de muitos destes corantes parte-se da destilação do alcatrão da hulha.
Os corantes podem ainda ser classificados quanto à sua estrutura química, relativamente à parte da molécula responsável pela cor (grupo cromóforo). Assim, pode-se fazer a seguinte classificação: corantes azoícos (grupo cromógrafo azo: -N=N-), corantes nitrados e nitrosados (grupo cromógrafo -NO2 ou -NO), corantes do difenilmetano e do trifenilmetano (derivados aminados ou hidroxilados destes compostos), corantes antraquinónicos (derivam da antraquinona), corantes acridínicos, azídicos, oxazínicos e tiazínicos (derivam da acrinina, azinas, oxazinas e tiazinas), corantes xanténicos (derivam do xanteno), corantes indigóides e tio-indigóides (derivam do índigo e da púrpura-de-tiro) e corantes quinoleínicos (derivam da quinoleína).
Com base nas condições de aplicação, é possível distinguir: corantes ácidos (formados por sais de ácidos orgânicos solúveis em água), corantes básicos (corantes com grupos básicos), corantes de mordente (exigem um tratamento prévio da fibra com mordentes), corantes sulfurosos (insolúveis na água, que se solubilizam por reação com sulfureto de sódio), corantes de cuba (antes de se aplicarem sobre a fibra, transformam-se em compostos incolores), corantes azoicos (formam-se diretamente no interior da fibra por reação dos produtos de partida), corantes dispersos (derivados do alcatrão da hulha que se empregam em estado pulverizado, juntamente com agentes de dispersão) e corantes diretos ou substantivos (solúveis e de composição química diversa).
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