Costa do Malabar

Palavra árabe proveniente da junção de mala ("montanha") e barr ou bâr (respetivamente "continente" ou "país"), aparecendo já nos escritos de al-Bîrunî (sécs. X/XI) e de Idrîsî (séc. XII). O Malabar (a que os indianos chamavam de "Kerala") estava voltado a Ocidente, para o Oceano Índico, e compreendia nesta altura o Querala, falando-se nele o malâyâlam (que os portugueses designavam igualmente de "malabar"). O "Maabar", por sua vez, correspondia ao Coromandel. Distinguia-se aquela zona do resto da Índia por já lá se terem estabelecido cristãos e judeus havia muitas centenas de anos, não sendo portanto a chegada portuguesa com a missão de cristianizar uma novidade. A extensão de território que compreendia o Malabar foi variando ao longo dos tempos, tendo designado a costa situada a Sul de Cananor nos séculos XVI e XVII e estendendo-se no século seguinte desde o golfo de Cambaia ao cabo Comorim. Por sua vez, quando este território caiu sob administração inglesa, passou o Malabar a constar da zona de Cananor a Ponane.
Foi em 1498 que Vasco da Gama chegou ao Malabar, tendo acontecido os célebres mal entendidos em que os portugueses pensaram serem os templos hindus lá existentes dedicados à Virgem Maria e aos santos. A verdade é que imperava o Islão, sendo os cristãos minoritários, e as transações comerciais não foram tão fáceis como o rei D. Manuel I previa por esta mesma razão. A custo se conseguiu comerciar de uma forma mais ou menos fiável com os reinos do Malabar, nomeadamente os de Coulão, Cananor e Cochim, sendo necessário impor a presença e direito português ao negócio das especiarias através da guerra. Contudo, a partir de 1509 a costa do Malabar deixa de ter tanto interesse para o reino luso, uma vez que Afonso de Albuquerque optou por se aliar ao samorim de Calecute e passou a dominar Malaca, considerada em termos de canalização de especiarias e outros produtos do Extremo Oriente e da Insulíndia mais vantajosa.
O Malabar transitou para mãos neerlandesas na segunda metade do século XVII, passando a imperar comercialmente a VOC ou Companhia Holandesa das Índia Orientais.
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