Costa-Gavras

Realizador e argumentista grego, Konstantinos Gavras nasceu a 12 de fevereiro de 1933 em Klivia. Filho de um funcionário do governo grego que pertenceu à resistência à ocupação nazi durante a Segunda Guerra Mundial, Gavras cedo demonstrou o seu ativismo político que haveria de marcar a sua carreira artística. Rotulado de comunista, viu-se impedido de entrar nos EUA onde pretendia estudar cinema. Acabou por rumar a Paris em 1951, começando a estudar literatura na Sorbonne até entrar no IDHEC. No final dos anos 50, tornou-se assistente de alguns dos mais importantes realizadores franceses como Henri Verneuil, René Clément ou Jacques Demy.
A sua primeira longa-metragem foi o thriller Compartiment Tueurs (A Sexta Testemunha, 1965), que também escreveu, a que se seguiu Un Homme de Trop (1967). Em 1968, obteve a nacionalidade francesa e no ano seguinte conseguiu um dos seus maiores triunfos artísticos e de crítica: Z (A Orgia do Poder), um conto político que usou técnicas do thriller para denunciar o sistema opressivo da junta grega de coronéis. O filme venceu o Prémio do Júri do Festival de Cannes, o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro e obteve ainda nomeações para os Óscares de Melhor Realizador e Melhor Argumento. Contando quase sempre com a participação de Yves Montand, seu ator de eleição, continuou a denunciar os sistemas de opressão política em filmes como L'Aveu (A Confissão, 1970), État de Siége (Estado de Sítio, 1973) e Section Spéciale (Secção Especial, 1975), este último vencedor do prémio de Melhor Realização no Festival de Cannes.
Em 1982, escreveu e realizou o seu primeiro filme americano, Missing (Desaparecido), com Jack Lemmon e Sissy Spacek, a história trágica do desaparecimento de um norte-americano no Chile sob regime ditatorial. O filme venceu a Palma de Ouro do Festival de Cannes e o Óscar de Melhor Argumento Adaptado. Nesse mesmo ano, tornou-se presidente da Cinemateca Francesa.
O seu filme seguinte, Hanna K. (1983), foi particularmente polémico pela defesa aberta que fazia da causa palestiniana. Em 1988, realizou Betrayed (Atraiçoados), com Debra Winger e Tom Berenger, e em 1989 Music Box (O Enigma da Caixa de Música), sobre um idoso cidadão naturalizado americano que é acusado de ter sido um criminoso de guerra nazi. Este filme, apesar de não ter sido um grande sucesso, venceu o Urso de Ouro do Festival de Berlim. Os seus filmes seguintes foram La Petite Apocalypse (1993); Mad City (A Cidade Louca, 1997), com Dustin Hoffman e John Travolta; Amen (2002), vencedor do César de Melhor Argumento; e Le Couperet (2005).
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