Crise Académica de 1962

A crise académica de 1962 constituiu um dos principais momentos de conflito entre os estudantes universitários portugueses e regime do Estado Novo. Às diversas formas de contestação estudantil o Governo respondeu de forma violenta.
Em fevereiro desse ano, o Governo de Salazar proibiu uma vez mais as comemorações do Dia do Estudante. Um grande número de estudantes da Universidade Clássica de Lisboa reagiram ocupando a cantina universitária, vindo a ser reprimidos pelas forças policiais. Apesar da proibição, iniciou-se em Coimbra o I Encontro Nacional de Estudantes. Desta reunião resultou a criação do Secretariado Nacional de Estudantes (SNEPE).
A Academia de Lisboa decidiu realizar uma greve de protesto e contou com a solidariedade dos colegas de Coimbra. Uma concentração de estudantes na Cidade Universitária de Lisboa foi violentamente reprimida pela polícia de choque. Perante a recusa definitiva do Governo em autorizar as celebrações do Dia do Estudante, e ainda como forma de protesto contra a violência da polícia, as Academias de Lisboa e de Coimbra decretaram conjuntamente o luto académico. Marcello Caetano, na altura reitor da Universidade Clássica de Lisboa, pediu a demissão do cargo por discordar da forma de atuar da polícia, por esta ter violado a autonomia da "corporação universitária" e a dignidade dos "órgãos de governo" da Universidade. A resposta do ministro da Educação, Manuel Lopes de Almeida, não se fez esperar: anunciou a suspensão das Direções de todas as Associações de Estudantes das universidades portuguesas.
Entre maio e junho de 62, apesar das tomadas de posição de diversos docentes universitários e outros intelectuais apoiando os protestos dos estudantes e exigindo o fim da repressão, o Governo e os órgãos universitários de Lisboa e Coimbra mantiveram-se intransigentes nas suas atitudes de repressão e recusa do diálogo.
Colocados perante a violência do regime e na impossibilidade de assegurarem a coordenação do movimento em conjunto com outros que iam deflagrando na sociedade portuguesa, os estudantes acabaram por desistir da contestação, acabando o regime por retomar o controlo da situação no final do ano. De qualquer forma, a longa crise deste ano assinalou o despertar para a atividade política de uma geração que, nos anos seguintes, mostraria ser um dos setores mais vivos da resistência ao Estado Novo.
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