Crise Demográfica (sécs. XVII - XIX)

Ao longo da História foram várias as alturas em que se viveram crises demográficas, como aconteceu na França do século XVII, em que a miséria generalizada e o encarecimento dos produtos alimentares fez com que milhares de pessoas morressem à fome, de doença e de frio. A chamada Revolução Demográfica, que se deu com o advento da Revolução Industrial, teve como uma grave consequência a crise demográfica, uma vez que as profundas transformações operadas na sociedade (sobretudo na de Inglaterra) conduziram à instabilidade e ao decréscimo de qualidade nas condições de vida, com as emigrações para as cidades a subirem a taxa de mortalidade.
Sabe-se que desde o século XVIII se empregaram contracetivos de barreira em determinados extratos sociais, sobretudo entre os meios de prostituição em França e Inglaterra, estando este facto ligado à disseminação de doenças venéreas como a sífilis. Contudo, foi nas camadas superiores da população que se verificou um decréscimo de nascimentos, uma vez que o número de famílias desaparecidas por falta de descendência aumentou drasticamente, levando à extinção de algumas famílias, algo natural mas que se começou a tornar preocupante a partir do século XVII. Foram costumes sociais como os venezianos, em que era costume os filhos primogénitos herdarem a "porção de leão" das heranças e, para que tal acontecesse, apenas estes se casavam ingressando usualmente os demais na vida religiosa, que contribuíram para esta descida do nível demográfico. O celibato que se foi fazendo sentir mais agudamente provocou uma situação extremamente indesejável, em que a falta de nobres venezianos aptos a ocupar os cargos políticos que se costumavam atribuir às famílias com antiguidade de sangue levou à emergência de detentores de cargos importantes com raízes não tão profundas.
Veja-se que os preceitos de Thomas Malthus, que aconselhava o casamento tardio, foram empregues já desde o século XIV na Europa e contribuíram sobremaneira para o decréscimo demográfico em França no século XVIII. O celibato entre as mulheres foi também uma causa de peso na crise demográfica que se fez sentir. As crises alimentares (1740), as elevadas taxas de mortalidade devido à falta de higiene, às epidemias (peste, tifo, disenteria, malária, varíola), a entrega das crianças a amas e ao seu abandono foi mais um fator de agravamento.
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