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Cristianismo
O termo "Cristianismo" significa, de um modo geral, a religião fundada por Jesus Cristo, ou o conjunto de religiões que nele filiam a sua origem. É também uma das religiões do Livro. Apresenta-se como a mensagem direta de Deus ao homem, enquanto indivíduo e comunidade, comunicação salvadora que Deus faz de si mesmo ao homem pecador. Começou como um movimento dentro do judaísmo num período em que os judeus estavam desde há muito sob influência e dominação estrangeira; por este motivo, encontraram na sua cultura e religião o caminho e a preservação da sua comunidade.
Para os judeus, o governo de Deus seria estabelecido pelo príncipe anunciado, o Messias. Este príncipe pertenceria à casa de David, rei de Israel no século X a. C. Os judeus estavam divididos em diversos grupos: os Saduceus, que apenas aceitavam como lei os cinco livros de Moisés (Pentateuco); os Fariseus que aceitavam, para além do Pentateuco, outros livros bíblicos e doutrinas recentes no judaísmo, como a ressurreição e a existência de anjos; e os Zelotas que formavam um grupo revolucionário que procurava lutar pela independência em relação a Roma.
A principal fonte de conhecimento que temos acerca de Jesus de Nazaré são os quatro evangelhos canónicos. Estes não são relatórios mas foram escritos para servir necessidades religiosas. A falta de precisão cronológica dos evangelhos está bem patente na discrepância entre eles acerca da data de nascimento de Jesus ou até da própria crucificação.
Jesus pregou a iminência da chegada do reino de Deus. Era reconhecido pelos seus discípulos como sendo o Messias anunciado pelos profetas. Os nomes de "profeta" e "rabi" foram-lhe aplicados também. Apesar de os seus ensinamentos terem sido críticos para com a ordem estabelecida, rejeitavam a revolução. A violência não era compatível com o reino de Deus.
Ao princípio, a mensagem de Jesus Cristo foi difundida pelos doze apóstolos por ele escolhidos para a sua difusão. A autoridade da Igreja na primeira geração de cristãos recaiu sobre estes homens. Após a sua morte levantaram-se questões acerca de quem seriam as autoridades máximas da igreja. As congregações de cristãos tinham, desde os primórdios, sido assistidas pelos presbyteroi (padres), episkopoi (bispos) e pelos diakonoi (diáconos), foi destes termos gregos que saiu a futura estrutura hierárquica da igreja. O título de papa (pai), que durante cerca de seiscentos anos foi usado como termo afetuoso aplicado a qualquer bispo, começou a ser especialmente atribuído ao bispo de Roma a partir do século VI e pelo século IX era-lhe atribuído quase exclusivamente.
Após os problemas iniciais de autoridade e continuidade da hierarquia, a maior garantia de autenticidade e continuidade foi encontrada nas Escrituras. Com efeito, os cristãos herdaram a Bíblia Hebraica como sendo a palavra de Deus. A missão de difusão da palavra de Deus aos gentios implicava que a lei do Antigo Testamento não era já a palavra final de Deus. Desta forma a transmissão oral da vida de Jesus necessitou de ser passada a escrito, surgindo os quatro evangelhos. A um segundo nível de importância estão as cartas apostólicas, principalmente as de Paulo, cuja correspondência circulava já, como um só corpo de escritos, antes de 90 d. C.
As relações entre as primitivas comunidades cristãs e o estado romano foram difíceis. Os cristãos não respeitavam as tradições pagãs e as suas relações com outras religiões, exceto o judaísmo, eram más; as manifestações de paganismo eram tidas pelos cristãos como sendo cultos de espíritos diabólicos. Por estes motivos e outros boatos (como as acusações de canibalismo, assassínio de crianças e promiscuidade sexual) devidos ao segredo da Ceia de Cristo e do batismo foram os cristãos perseguidos pelas autoridades romanas. Estas perseguições foram, no entanto, esporádicas e decididas por casos pontuais. Muitos convertidos traziam com eles antigas atitudes, tais como amuletos e superstições, que levaram a que os cristãos comemorassem as suas festas nos mesmos dias das festas pagãs. Ao longo dos séculos, a cristandade foi-se desenvolvendo até chegar, em 312, à conversão do imperador Constantino. Este facto facilitou uma aliança cada vez maior entre a Igreja e o império.
A divisão do império romano, em Ocidental e Oriental, e sua posterior queda, as várias escolas teológicas das principais cidades, e o uso do latim e do grego, foram alguns dos motivos que levaram a que diversas controvérsias fossem surgindo ao longo dos séculos, o que culminou no grande Cisma do Ocidente de 1054. O Cisma foi desencadeado pela decisão do papa de impor costumes latinos aos gregos do sul da Península Itálica. Como represália, foram encerradas em Constantinopla várias igrejas latinas pelo patriarca da cidade. O cardeal enviado pelo papa para protestar foi friamente recebido em Constantinopla, tendo deixado uma bula de excomunhão. Esta bula condenava o patriarca de Constantinopla, a doutrina grega do Espírito Santo, o casamento dos padres gregos e o uso de pão levedado na Eucaristia. As principais diferenças entre as igrejas ocidentais e orientais ficaram a dever-se ao aumento de prestígio e poder do bispo de Roma devido à expansão e consolidação da cristandade no Ocidente. A cristandade Bizantina, cada vez mais isolada do ocidente pela diferença de língua, cultura e política, seguiu o seu próprio caminho. As igrejas orientais foram desenvolvendo sempre o princípio de autonomia administrativa, tornando-se as igrejas nacionais que são nos nossos dias.
Durante a chamada Idade Média desenvolveu-se o pensamento escolástico, cujo máximo expoente foi, sem dúvida, S. Tomás de Aquino. A teologia escolástica representou um esforço de harmonização das doutrinações dos grandes Padres da Igreja com as aquisições intelectuais da Antiguidade Clássica. As teologias dos Padres da Igreja tinham sido desenvolvidas sob influência da escola platónica. A redescoberta de Aristóteles foi o grande auxílio dos escolásticos. Graças à filosofia aristotélica foi possível combinar a fidelidade às escrituras e às tradições com a atitude crítica e o pensamento positivo.
No século XVI, devido às profundas mudanças sociais, económicas e políticas que se desencadearam na Europa, surgiu o movimento de Reforma, ou protestantismo, desencadeado por membros da própria Igreja, Martinho Lutero e Calvino.
Historicamente, o termo surgiu quando príncipes e cidades na dieta de Espira, em 1592, protestaram contra as severas sanções que tinham sido impostas à nova doutrina. Desde esta altura, os seus adversários passaram a chamar protestantes aos seguidores da Reforma. A doutrina de Martinho Lutero não reconhece a autoridade papal, por considerar que a única autoridade religiosa é a Escritura interpretada por cada um. As Igrejas protestantes podem dividir-se em Luteranas, Anglicanas (ambas moderadas e próximas do ecumenismo), Presbiterianas (ligadas ao calvinismo e mais radicais na separação da ortodoxia católica) e inúmeras seitas (que se desenvolveram essencialmente na América, do Norte e do Sul).
Os Católicos representam o maior número mundial de cristãos, isolados são mais de metade da cristandade. Em Portugal, a população é maioritariamente católica. Sob a autoridade central do Papado, a Igreja católica divide-se em dioceses onde os bispos atuam em nome e por autoridade do Papa, mas com alguma autonomia administrativa, cujo princípio de colegialidade articulado pelo Concílio do Vaticano II aumentou. A doutrina da Igreja católica é idêntica à da maioria das Igrejas Ortodoxas; consiste na Bíblia, na herança dogmática da igreja primitiva, nos decretos dos primeiros concílios ecuménicos e no trabalho teológico dos Padres (doutores) da Igreja.
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