Cristianização da Rússia

A cristianização da Rússia não se pode dissociar da missionação bizantina naquele território. A presença mais antiga de um bispo enviado por Bizâncio de que há conhecimento data de 867. A penetração do cristianismo foi gradual e uma das suas vitórias mais importantes foi a conversão da princesa Olga, regente do Estado de Kiev, que foi batizada em 957 e posteriormente recebida em Constantinopla. A sua conversão influenciou igualmente a escolha religiosa do seu neto Vladimir, que optou pelo cristianismo bizantino tornando-o a religião oficial do Estado (989).
O reforço desta aceitação, motivada em grande medida pelos benefícios culturais e políticos que daí adviriam, foi feito com o casamento de Vladimir com a irmã do imperador bizantino Basílio II. Como se pode constatar, Bizâncio teve sempre um peso muito importante relativamente à questão religiosa na Rússia, cujos príncipes, após o contacto com Constantinopla, manifestavam a sua reverência à superioridade espiritual e religiosa do cristianismo bizantino por oposição ao paganismo em que a Rússia tinha vivido. Foi assim que Yaroslav, filho de Vladimir, tornou possíveis a construção da catedral de Santa Sofia à semelhança da de Constantinopla, no segundo quartel do século XI, e também a fundação de um mosteiro, adotando, no essencial, o modelo de monaquismo bizantino. Inclusivamente, os mosaicos colocados na catedral refletem um trabalho produzido por mestres gregos, verdadeiros representantes da pureza da arte bizantina. Demonstra-se que não foi só a adoção de uma religião que esteve em causa, mas também toda a base cultural legada pelos bizantinos patente, por exemplo, nos livros que foram traduções dos textos litúrgicos e das escrituras.
No entanto, é importante salientar que a cristianização não foi homogénea em todo o território, tendo permanecido pagãs áreas extensas que se encontravam afastadas dos centros urbanos e onde a influência da Igreja era ainda muito ténue.
A partir de 1039, Kiev passaria a ser metropolita com poder de consagrar os seus bispos que, no entanto, continuavam dependentes do patriarca de Bizâncio, mantendo assim um fortíssimo domínio administrativo relativamente a este novo estabelecimento religioso.
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