Cristianização dos Celtas

Os celtas foram cristianizados a partir da conquista normanda do País de Gales e da Irlanda. Os vestígios que nos chegam surgem através de manuais litúrgicos e de objetos colhidos de escavações arqueológicas, de mobiliário e de alfaias litúrgicas. A cristianização dos celtas levou inclusivamente à introdução de uma liturgia própria que iria substituir a liturgia romana nas ilhas britânicas a partir do século II. O ritual céltico difere dos rituais da Europa.
As manifestações religiosas anteriores à cristianização podiam encontrar-se sob a sua forma mais pura no território que hoje constitui a Irlanda, embora tenha sido professada por vários países com grande uniformidade. Dentre os deuses celtas existiam alguns que estabeleciam o paralelo com os deuses romanos, embora muitos acumulassem vários aspetos do mesmo deus romano. Do mesmo modo, César assimilaria alguns deuses celtas, que passaram a fazer parte do panteão romano. Havia uma infinidade de deuses locais, da floresta, dos rios e da fecundidade. Adoravam-se díades e tríades divinas; fazia parte do culto a existência de animais sagrados, como o cavalo, o touro, o veado, o cão e o javali. Veneravam-se fontes, rios, montes, pedras de forma fálica, árvores - nomeadamente o carvalho - e frutos. Praticavam-se rituais onde eram feitos sacrifícios humanos e dava-se muita importância à vida para além do túmulo. Possuíam templos que geralmente assumiam planta quadrada, redonda ou poligonal e, ao serviço exclusivo da religião, existiam druidas com funções de sacerdotes, xamãs e sábios. O rei e os chefes de clã surgiam revestidos de poder divino.
Pouco se sabe desta primitiva forma de religião naturalista celta, que admite posteriormente o antropomorfismo. No momento em que se operou a evangelização dos territórios celtas, apenas na Irlanda o cristianismo tomou contacto com essa religião antiga.
Foi S. Patrício quem difundiu o Evangelho aos Irlandeses entre 432 e 461 e é a ele que se deve a tarefa de cristianização anterior ao missionário Pelágio. Em 445, Patrício fundou a primeira diocese, cuja sede era Armagh, e organizou outras quatro. Foi neste período que ocorreram conversões em massa, assistindo-se ao abandono das formas pagãs da sua anterior religião pelas populações. A Irlanda entraria no seu período áureo quer religioso quer do ponto de vista literário e artístico. Devido às invasões bárbaras, a Irlanda ficou isolada da Grã-Bretanha o que permitiu uma evolução muito própria do tipo de religião. Recorde-se que a Irlanda não fora nunca ocupada por Roma. No século VI apresentava uma Igreja muito bem alicerçada na qual os mosteiros assumem um papel de grande relevo, substituindo em importância a sé episcopal e girando a vida espiritual coletiva em torno das figuras do monge e do abade, que tomaram o lugar do padre e do bispo. Foi daqui que saíram os mais empenhados missionários (Columbano, por exemplo) e onde se produziram mestres de grande qualidade, tornando a cultura do país uma das mais conceituadas da Europa. Praticavam o evangelismo através das viagens marítimas e o anacoretismo. A estes monges se deve a introdução da prática penitencial, pois procuravam uma ascese através da vida austera e com práticas muito duras e rigorosas.
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