Crónica de El-Rei D. Fernando
A Crónica de D. Fernando foi redigida por Fernão Lopes, entre 1440 e 1450, e constitui a segunda das três grandes crónicas do primeiro cronista régio. O cronista relata na sua ordem cronológica os factos mais destacáveis do reinado e vida de D. Fernando, compondo um balanço antitético da sua ação governativa, no que diz respeito à política governativa interna e externa, e aos traços contraditórios da sua personalidade.
Assim, o relato das três guerras com Castela, que ocupa grande parte da crónica, merece um juízo desfavorável pelas consequências económicas que produziu enquanto aventuras bélicas não plenamente justificadas. Por outro lado, as medidas tomadas pelo rei, no âmbito da administração interna, são enaltecidas pelo narrador, como, por exemplo, "a proveitosa ordenação de mandar que as terras do reino fossem todas lavradas e aproveitadas" ou os privilégios que concedeu "aos que comprassem ou fizessem naus".
Mas é nos aspetos da vida pessoal que o ponto de vista do cronista é mais condenatório, nomeadamente na sua relação e casamento com D. Leonor Teles, cujas manobras permitem de resto ao autor compor um dos mais ricos retratos da sua galeria de personagens históricas.
A reprovação dos "povos de Lisboa" face a um casamento que não honrava o seu rei e a recusa do monarca em ouvir a voz do povo, que na perspetiva do cronista é a voz da razão, é decisiva para uma condenação de D. Fernando, sobretudo quanto às consequências nefastas desse ato irrefletido durante o interregno, ao colocar em perigo a integridade do reino e ao lançar o país numa profunda crise nacional.
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