Crucificação de Jesus Cristo

Os cadafalsos denominados "cruz" são feitos de duas peças de madeira "cruzadas", colocadas uma sobre a outra. Se a utilização da cruz foi disseminada pelo exercício da "justiça romana" no Oriente como em todas as regiões submissas a Roma, outros povos inventaram "pelourinhos" de morte semelhante ou equivalente.
Os carrascos romanos utilizam as cruzes para flagelar previamente os condenados. Por vezes, pressionados pelo tempo ou privados de mão de obra, utilizam simples estacas ou algum tronco bifurcado para atar e cravar as suas vítimas. As "madeiras de justiça" eram erigidas com as formas mais apropriadas, em cruz, em que os dois elementos sobrepostos (cruz em "tau"), ou encastrados transversalmente, de igual comprimento (cruz "grega"), ou não (cruz "latina"), se ajustava através de entalhes e encaixes.
O elemento vertical, munido ou não de um elemento saliente, é o assento rudimentar destinado a suster o peso do corpo para retardar a asfixia mortal que matará o crucificado com os músculos distendidos, imobilizado ao ser pregado no local reservado aos suplícios; o elemento horizontal, atado aos ombros e braços do condenado para a sua marcha para a morte, completa o dispositivo para cada execução. A crucificação era interdita aos "cidadãos romanos". Como Cristo não usufruía desta imunidade, Pilatos fê-lo crucificar em nome da justiça de Roma, apesar da pressão exercida pelos judeus revoltados. Para levar um condenado à cruz, era necessário um motivo legal, afixado na cruz nas línguas oficialmente reconhecidas: neste caso, hebreu, grego e latim. O procurador escolheu uma fórmula equívoca: ela sugere seguramente a esperada rebelião contra a autoridade do imperador. Os quatro evangelistas resumem-na de uma forma mais ou menos concisa: "Este é Jesus, o Nazareno, o rei dos Judeus".
De acordo com o costume romano, o condenado era flagelado e entregue aos soldados, que o obrigavam a carregar a cruz. A multidão que seguia o cortejo não era hostil: as mulheres choravam; Jesus exortava-as na sua passagem. Alcançado o Gólgota, onde dois malfeitores serão executados com ele, é-lhe dada pelos seus guardas, provavelmente recrutados na Palestina, uma mistura à base de vinho, considerada um estupefaciente. Mas tendo provado a bebida, Jesus recusa-a. Despojado das suas roupas que os carrascos partilham entre si, à exceção do subligar, pano de decência, é içado a uma altura razoável com o madeiro que ele próprio carregou e onde os seus punhos foram pregados; depois foi seguro, sobre a estaca que suportava o peso, por um terceiro cravo, que trespassou os pés sobrepostos. Foi encontrado num supliciado do século I um cravo grande, com 17 cm de comprimento e um diâmetro de 2 cm na base, ainda cravado nos metatarsos dos dois pés, que teria sido crucificado como tantos outros pelos legionários de Tito diante de Jerusalém.
A arte cristã mostra voluntariamente a cruz de Jesus bastante mais alta do que as que eram normalmente utilizadas em Roma, onde frequentemente os pés dos crucificados quase tocavam o solo. A tradição sublinha desta forma "a elevação" de Cristo sobre o patíbulo, tornado "o trono do Redentor".
Após algumas horas, para os executores, Jesus estava bem morto. A legislação romana aceita, a quem o solicita, que se dê uma sepultura ao corpo dos supliciados e os Judeus exigem que ele seja enterrado antes do pôr do Sol, sobretudo por ser véspera de um sabate.
A cruz onde Jesus foi crucificado, até então objeto de maldição e instrumento de vergonha, doravante passou a ser símbolo de reconciliação de Deus com a Humanidade inteira, tornando-se instrumento de salvação e objeto de glória para quem se converta. Durante a sua vida terrena, Cristo deu um ensinamento surpreendente aos seus discípulos: "Quem não carregar a sua cruz para me seguir não é digno de mim".
A sua cruz, cuja imagem é símbolo da redenção, aparece, discretamente, tal como no período das perseguições até ao dia em que Constantino libera a Igreja, morada da esperança, a arma e o signo distintivo do cristão na vida e na morte.
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