Cruz Caldas

Caricaturista, escritor, ilustrador e publicitário português, António Cruz Caldas nasceu a 17 de dezembro de 1898, no Porto, e faleceu em 1975, na mesma cidade.
Usualmente assinou como Cruz Caldas, mas também se lhe conhecem outras assinaturas: António, CC, + Caldas, + C e CCP, ou ainda os pseudónimos Toneca, Tono e Zita.
Oriundo de uma família de artistas, o pai e o irmão eram escultores, teve ainda nos padrinhos importantes referências artísticas: a pintora Aurélia de Sousa e o escultor Teixeira Lopes. Em 1923 começou por colaborar com o Sporting, jornal publicado entre 1921 e 1953, onde foi diretor artístico. No ano seguinte, 1924, começou a sua colaboração com o semanário humorístico Cócórócó.
Participou no Salão dos Humoristas Portugueses em 1926, no ano seguinte iniciou a colaboração com o Jornal de Notícias e, em 1931, começou a sua participação no Pirolito, onde foi o diretor artístico.
A sua obra, sobretudo ao nível da caricatura (Cartoon), encontra-se abundantemente publicada, entre outros periódicos, no jornal O Primeiro de janeiro, desde 1939 até à década de 50 do século XX.
Trabalhou na Litografia do Bolhão a partir de 1934, como desenhador, sobretudo realizando os mais variados trabalhos publicitários: cartazes, panfletos, calendários e anúncios. Ainda ao nível da publicidade, concebeu também stands para feiras, decorou vitrinas de lojas e, nos anos 40, assumiu a direção artística da Secção de Propaganda da Mabor.
Fez também ilustrações para capas de jornais, como Repórter X (1930), de revistas, como Civilização (1933) e de livros, como O Homem que Matou a Atriz (1926), de Mário Ximenes e Ernesto Balmacela e Poeira dos Arquivos (1935), de Magalhães Basto, entre muitos outros títulos. Em paralelo, realizou múltiplos programas de festas, de filmes e de peças teatrais, sem esquecer as caricaturas para os livros dos alunos finalistas de diferentes faculdades.
Ao nível do teatro, fez o grande desenho da boca de cena do Coliseu do Porto (1941), cartazes publicitários do Coliseu, os cartazes das mais diversas peças, como as revistas Café com Leite e Porto à Vista (1933), Porto de Honra (1934), Jornal do Porto (1944), das operetas O Pardal de São Bento (1938) e O Gaiato da Rua (1945), sem esquecer o trabalho que desenvolveu ao nível dos cenários de diversas peças.
Nas artes plásticas elaborou também cartazes de importantes exposições, como a II Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian (1961) e a VII Bienal de São Paulo, no Brasil (1963).
Ao nível das distinções mais significativas, foi premiado no Concurso de Caricaturas da Casa do Pessoal da Emissora Nacional (1948), recebeu a 3.ª Medalha de Caricatura da Sociedade Nacional de Belas Artes (1951) e, por duas vezes, o Prémio de Caricatura "Leal da Câmara", também da Sociedade Nacional de Belas Artes (1954 e 1956).
Este notável artista deixou uma marca inconfundível na imprensa e no meio teatral da sua cidade natal. A Câmara Municipal do Porto atribuiu o seu nome a uma artéria da cidade.
Em 1993 realizou-se a exposição "Uma Obra - Cruz Caldas", na Junta de Freguesia do Bonfim (Porto) e em 1997 uma outra, na Assembleia de Campanhã.
Entre dezembro de 1998 e fevereiro de 1999 realizou-se uma importante exposição retrospetiva sobre o autor na Casa Museu Guerra Junqueiro, no Porto, da qual se editou um catálogo, celebrando desta forma o centenário do seu nascimento.
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