Cultismo

O Barroco caracterizou-se, na produção literária, pelo excessivo culto da forma e do conceito. A designação de Gongorismo para classificar este movimento em Espanha é, pois, incompleta, porquanto Gôngora foi essencialmente cultista e, paralelamente, Quevedo foi marcadamente conceptista.
No cultismo, é evidente o jogo de palavras, o jogo de imagens, o jogo de construções, processos que se praticam na poesia como na prosa até meados do século XVIII, quando surge o Neoclassicismo em 1756. Em Portugal, no século XVII, na prosa, temos mais Cultismo em Pe. Manuel Bernardes e mais Conceptismo em Vieira. Mas este, para desdobrar os seus argumentos justificativos do «conceito predicável», usa o paralelismo, as simetrias, os contrastes, faz jogos de palavras; isto é principalmente praticado no Sermão da Sexagésima, quando critica a oratória da época (dos Beneditinos, em especial). A exuberância técnica da tendência cultista encontra paralelo nas obras de talha das igrejas barrocas. Refira-se, como expoente notável desta arte, a Igreja de S. Francisco, no Porto.
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