Culto Imperial na China

O culto imperial na China define-se logo nas primeiras dinastias. Já na série dos Cinco Soberanos, com início cerca de 2690, cada um deles encarnou uma das cinco virtudes e possuía uma espécie de virtude total necessária à criação da civilização nacional. O seu principal objetivo era estabelecer a paz no Universo: a Grande Paz, cuja intenção era promover a harmonia entre todos os seres vivos. O soberano era considerado um verdadeiro sábio, tornado modelo nacional, e este período foi considerado a idade do ouro, marcado pela ideia de um modo de vida ideal assente nas virtudes.
Durante a dinastia Hia (2205-1766 a. C.) os monarcas ainda permanecem revestidos de um certo carácter lendário, bem patente na figura do fundador Yu, que reunia os atributos de rei, sacerdote e demiurgo.
A época Shang (1766-1026 a. C.), mais bem conhecida, sai do período lendário e é já considerada como fazendo parte do período histórico. Os vestígios arqueológicos encontrados em Anyang, a capital, revelam-nos dados importantes, que contribuem para conhecer os contornos do culto imperial prestado aos soberanos. Alguns indícios surgem da observação dos túmulos reais, que apresentam grandes dimensões, são muito amplos e encontram-se em torno da sepultura real vestígios humanos, sinal da prática de sacrifícios entre os servos, que depois foram sepultados junto ao seu rei. É também importante a existência de um espólio funerário muito rico, de que fazem parte peças de bronze, armas decoradas e esculturas. Naturalmente que os restantes membros da classe nobre teriam também sepulturas que denunciam a sua importância através dos valiosos espólios, mas nenhuma alcançou a magnitude observada nos túmulos reais.
Trata-se de uma sociedade socialmente muito estruturada, cujo topo da pirâmide hierárquica era ocupado pelo soberano que se vinculava ao céu e à terra, habitava o campo sagrado e representava o céu, aspeto importante numa época em que a agricultura passou a constituir o modo de sobrevivência. Era da responsabilidade do rei a conjunção harmoniosa entre o céu e a terra, pois era ele que possuía a capacidade de controlar as chuvas e os ventos. Estes atributos do rei notam-se ainda na localização da construção do palácio, situado numa montanha, pois desta forma ficava mais próximo do céu. O rei era assim o ser supremo, senhor do mundo terreno e detentor de todas as formas de vida, dos cultos e dos ritos que, pela sua realização, conduziam ao objetivo último de tudo harmonizar. Toda a aura de sacerdote e de sábio que criou em torno de si naturalmente provocava nos súbditos uma enorme veneração, pois a ordem e a harmonia dependiam do rei, que era o representante do céu. Com base num governo de características teocráticas, tornou-se o detentor de um poder centralizado, próximo do absoluto, não fosse a limitação desse poder pelo Céu (Augusto Céu) e pela comunidade, que tinha o direito de se revoltar, quando não era conseguida a harmonia entre os diversos elementos.
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