Cultura de Badari

A designada "cultura de Badari" é tida como uma das primeiras manifestações da cultura egípcia na época Pré-dinástica (c. 4500-3000 a. C.), nomeadamente no Alto Egito, onde se situa a localidade que lhe dá o nome. Naquela região, a sul de Asyut, e noutras localidades circundantes acham-se vários cemitérios pré-dinásticos, como em Mostagedda, Deir Tasa ou Hammamia. O período de Badari, propriamente dito, é datável entre cerca de 4500-4000 a. C., embora possa remontar até algumas centenas de anos atrás, segundo alguns especialistas, como Guy Brunton e Gertrude Caton-Thompson, os seus grandes estudiosos entre 1922 e 1931. Muitos dos complexos funerários possuíam espólios cerâmicos, nomeadamente vasos de argila decorados e polidos, além de estatuetas antropomórficas (formas humanas) em marfim ou terracota, o que demonstra uma cultura complexa e com preocupações e desenvolvimentos artísticos consideráveis. Placas de ardósia, vasos em pedra ou ferramentas várias, são outros artefactos que tornaram as necrópoles de el-Badari como um dos berços da ulterior civilização nilótica, com indústrias líticas (com base na pedra, do grego litos, "pedra"), técnicas escultóricas e cerâmicas avançadas e uma complexização social muito curiosa. A diversidade de ritos funerários e todas estas atividades culturais e económicas atestam essa ideia de sociedade complexa e estruturada. De referir, no que toca à diversidade de ritos funerários, que, além das estruturas de enterramento serem diferenciadas (retangulares, fossas ovais, etc.), também as posições e orientação dos corpos não são sempre as mesmas, o mesmo se dizendo face às inumações, ora individuais, ora múltiplas, com almofadas ou esteiras, ou sem elas, sendo as mesmas ou em couro ou em madeira, etc., a revelar uma sociedade complexa, portanto.
Como referenciar: Cultura de Badari in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-09-18 12:30:32]. Disponível na Internet: