Cultura Etrusca

Os Etruscos eram acima de tudo um povo guerreiro, a quem os Gregos temiam. A sua principal riqueza provinha da agricultura e da silvicultura. No comércio eram principalmente intermediários e no seu país trocavam o ferro e o estanho do Norte pelo ouro e marfim do Oriente.
A sua vida e costumes estão patentes nas pinturas que chegaram até aos nossos dias e que mostram de um modo completo a sua indumentária, os seus utensílios e os seus hábitos. Em tempos históricos, foram muito dados ao luxo e à comodidade, justificando as frases pinguis Tyrrhenus de Vergílio e de obesus Etruscus de Catulo. Naturalmente, entre eles floresciam as cortesãs, e por intermédio de Timeu e de Teopompo sabemos como estas mulheres viviam e comiam e ainda como se relacionavam com os homens.
Vestiam quase sempre como os romanos, mas usavam um chapéu geralmente pontiagudo e introduziram em Roma a sandália tirrénica. Como divertimento tinham jogos atléticos e combates de gladiadores, a caça, a música e a dança. Conheciam a flauta simples e dupla, a cítara e as trombetas. Entre as ciências, os Etruscos cultivaram a medicina, a história natural e a astronomia. Distinguiram-se fundamentalmente na medicina, tendo os seus médicos alcançado grande fama entre os gregos.
A arte especial que se lhes atribuía para encontrar nascentes de água (aquaelicium) pressupõe um grande conhecimento da Natureza. Tinham leis próprias para o cálculo do tempo, e fixavam o princípio do dia pela posição mais alta do Sol, servindo-se dos meses lunares naturais: para contar utilizavam o sistema duodecimal. As semanas eram de oito dias, o primeiro deles destinado ao mercado e para que o povo acorresse ao rei. Contavam os anos pregando um cravo no templo de Nortia em Volsinii. Outra divisão do tempo era o saeculum, ou seja, a duração da vida da pessoa que tinha chegado à idade mais avançada entre todas as pessoas nascidas no ano em que morrera o habitante mais velho precedente.
Os Etruscos especializaram-se na arte da adivinhação, que lhes permitia predizer o futuro ou, pelo menos, a vontade dos deuses. Em determinadas ocasiões, faziam-no observando o voo das aves, procedimento herdado pelos romanos. Mais frequentemente, consultavam as vísceras de animais sacrificados, prevendo os acontecimentos pela forma e textura do fígado, que se dividia em secções, cada uma das quais com o seu significado próprio.
A fusão da religião e da cultura etruscas com as de Roma, a celebração de casamentos mistos entre etruscos e romanos e a incorporação de técnicas etruscas (entre elas a escrita) foram aspetos que inspiraram o desenvolvimento de Roma.
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