D. Francisco de Portugal

D. Francisco de Portugal nasceu em 1585. Tendo frequentado em Madrid a corte de Filipe II, onde gozou de grande prestígio, foi um dos autores que influenciou a poesia do seu tempo, através dos aspetos conceptistas de feição gongórica que caracterizam os seus versos.
Foi famoso não só pela sua galanteria cortesã mas também pela forma subtil como poetava, tendo sido muito elogiado por autores como Jacinto Cordeiro e D. Francisco Manuel de Melo.
A sua obra Arte de Galanteria,"oferecida a las Damas de Palacio", contém poesias em língua portuguesa e castelhana e consiste numa reflexão acerca das boas maneiras, da etiqueta, da conversação, vestuário, coches, poesias, cartas e "serviço" amoroso no paço, embora recusando o didatismo que caracteriza a Corte na Aldeia de Rodrigues Lobo.
D. Francisco de Portugal cita e imita frequentemente Camões. Por exemplo, em Prisões e Solturas de uma Alma, incluídas no volume de Divinos e Humanos Versos, recorre a uma estrutura onde versos líricos aparecem lado a lado com reflexões morais em prosa.
O conteúdo das suas cartas (das 114 que se conhecem), escritas entre 1616 e 1631, ao bispo D. Rodrigo da Cunha, permite-nos perceber a evolução espiritual sofrida pelo autor. Também os Divinos e Humanos Versos refletem os desgostos de amor (o seu grande amor por Célia) e as deceções de origem cortesanesca que o levaram a professar, após a morte de sua mulher, na Ordem de S. Francisco, em Lisboa.
Morreu em 1632.
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