D. Francisco Manuel de Melo

Escritor multifacetado, nascido a 23 de novembro de 1608 e falecido a 24 de agosto de 1666, é considerado uma das personalidades portuguesas mais proeminentes do século XVII.
De ascendência nobre, a sua formação realizou-se até aos 10 anos na corte, onde adquiriu as bases do respeitante à sua elevada posição social. Depois, os Jesuítas transmitiram-lhe não só uma alargada erudição classicista e um pouco de hebraico, como também o prepararam nos estudos matemáticos em que era particularmente bom. Antes de se tornar membro da Ordem de Cristo, serviu durante cinco anos as armadas espanholas. Alternou este serviço com o recrutamento militar e a frequência da corte madrilena, tornando-se conhecido de Quevedo e de outras figuras literárias. Mais tarde, comandou as tropas portuguesas na Guerra dos Trinta Anos e combateu contra os Holandeses (1639). No ano seguinte ajudou a reprimir a revolta da Catalunha. Após um curto período de prisão por razões políticas, tomou partido a favor de D. João IV e, em 1641, dirigiu-se para Londres. Nesta cidade foi incumbido, como general da armada, de trazer uma frota da Holanda para Portugal. Seguiram-se algumas tarefas de menor importância e, em 1644, foi novamente encarcerado. Foi durante o tempo de clausura que redigiu a maioria das suas obras e ao mesmo tempo lutou pela libertação. Em 1655 foi degredado para o Brasil. Na Baía, melhorou as suas finanças com o negócio do açúcar e continuou a escrever. Passados três anos regressou à pátria e em 1660 animava a Academia dos Generosos. Seguiu-se o início da carreira diplomática, que lhe permitiu viajar pela Europa. Pouco antes da sua morte, com 57 anos, foi ainda deputado da Junta dos Três Estados.
A nível literário é uma figura considerável da cultura aristocrática peninsular do seu tempo.
O seu trabalho bilingue comporta comédias, novelas, versos líricos e, pensa-se, algumas sátiras que se terão perdido. Versou sobre assuntos historiográficos, moralistas, políticos e militares. No apólogo Hospital das Letras fez a primeira revisão crítica geral de autores literários antigos e modernos em português; projetou uma Biblioteca Lusitana de Autores e também um Parnaso Poético Português. De entre as obras que deixou merecem referência Epanáforas de Vária História Portuguesa (1651, como historiador), a farsa Auto do Fidalgo Aprendiz (provavelmente escrita antes de 1646 mas publicada somente em 1676, como dramaturgo), Obras Morales (1664, publicadas durante a sua missão como diplomata em Roma), Obras Métricas (1665, onde reuniu a sua poesia) e a famosa Carta de Guia de Casados (prosa).
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