D. Jaime ou a Dominação de Castela

Poema narrativo em 9 cantos, heterométrico, de Tomás Ribeiro, publicado em 1862, que se assume como um forte protesto patriótico contra a corrente iberista: "Quem pode crer na Espanha? Ó pátria, acorda; / não desdenhes o grito do alaúde, / que estalará por ti corda por corda, / que é português fiel, embora rude!" O protagonista do poema - que abre com uma dedicatória "A Portugal" - é o nobre português D. Jaime, que se apaixona por uma dama castelhana, Estela de Aragão; no decorrer da ação, Estela é assassinada pelos próprios irmãos e D. Jaime, acusado de traição, executado.
O poema foi apadrinhado por António Feliciano de Castilho, que o dotou de uma longa "Conversação Preambular", onde fez o elogio da obra, chegando a compará-la e a superiorizá-la a Os Lusíadas, de Camões. O tom encomiástico do prefácio de Castilho provocou críticas de Pinheiro Chagas e Pereira de Castro, no Jornal do Porto, e de João de Deus, em O Bejense, entre outros, gerando uma acesa polémica que muitos consideram o preâmbulo da Questão Coimbrã.
À semelhança do que aconteceu, durante a época romântica, com muitos poemas narrativos, o D. Jaime foi alvo de uma paródia, na obra Roberto ou a Dominação dos Agiotas, de Manuel Roussado.
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