D. Joana, a Beltraneja

A princesa D. Joana nasceu em 1462. Era filha de D. Henrique IV de Castela e da rainha D. Joana, filha do rei D. Duarte. Era, portanto, a herdeira legítima do trono castelhano.
No entanto, aqueles que queriam ver ascender ao trono a infanta D. Isabel, irmã do rei, alcunharam-na de Beltraneja, numa alusão a uma ligação amorosa que se dizia que a sua mãe tivera com o fidalgo D. Beltrán de la Cueva. Pretendiam assim insinuar que D. Joana não era filha natural de D. Henrique IV e que, portanto, não tinha o direito de sucessão.
Durante as lutas intestinas que se sucederam em Castela, vários nobres formaram um partido em defesa da princesa. À morte do rei, este partido opôs-se a que a infanta D. Isabel subisse ao trono. O monarca português D. Afonso V, desejando fazer valer os direitos de sua sobrinha, decidiu casar-se com ela e invadir o reino de Castela. No entanto, D. Afonso V não conseguiu vencer a Batalha de Toro, em 1476, e a infanta D. Isabel foi reconhecida como rainha de Castela.
Entretanto, D. Joana recolheu-se em Portugal, onde passou a ser conhecida por Excelente Senhora. Em 1479 a paz de Alcáçovas determinou que D. Joana se casasse com o infante D. João de Castela. No entanto, ela recusou e recolheu-se no Convento de Santa Clara. Por decisão de D. João II, seu primo, deixou a clausura, vindo a falecer no Paço da Alcáçova, em Lisboa, em 1530.
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