D. João VI

Peça estreada pela cooperativa de trabalhadores de espetáculos A Barraca, em abril de 1979. Tem como objeto a biografia do rei D. João VI, evocada sobre o pano de fundo histórico e político português da última década de Setecentos, num país que sofrerá as consequências da rivalidade entre a França e a Inglaterra e numa época de transição entre o fim do absolutismo e emergência de ideais liberais. O espectador acompanha a formação religiosa e política de D. João VI, o seu casamento com a infanta espanhola Carlota Joaquina, e a sua ascensão ao trono, depois de declarada a insanidade de D. Maria I. Manipulado por Pina Manique, autoriza, então, atos de repressão da liberdade individual e tenta debalde sustentar uma política externa de neutralidade, até que, com as invasões francesas, é obrigado a exilar-se no Brasil. Retrato dramático e cómico de um rei cuja incapacidade governativa terá consequências devastadoras para si e para o país, na cena número 10 do segundo ato é o próprio D. João VI quem resume a sua história, a história de "um dos monarcas mais infelizes do meu tempo, já como Rei, e já como marido e pai; porque como Rei tive de pagar à França a neutralidade com que me iludiram, tanto cabedal e suor dos meus vassalos, sendo por fim obrigado a fugir para o Brasil, a que se seguiu testemunhar umas poucas de Revoluções no meu Reinado; como marido, porque nunca a minha esposa se aproximou de mim, que não fosse para me afligir; e como... pai, porque enquanto um dos meus filhos se levantou contra mim, e me tirou a parte mais importante da monarquia, o outro não só me chegou já a prender no meu próprio paço, mas até acaba de me obrigar a recorrer à proteção e asilo [...] de uma Nação aliada e amiga".
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