D. Luís Xavier de Meneses

D. Luís Xavier de Meneses, nascido em 1632 e falecido em 1690, foi o terceiro conde de Ericeira e ministro de D. Pedro II. Com a colaboração do marquês de Fronteira, publicou em 1677, 1668 e 1698, pragmáticas a favor das indústrias nacionais, exercendo uma política de fomento industrial e de reforma cultural que se viu forçado a implementar, dada a crise do rendimento nacional do século XVII, que oscilava entre o ciclo do açúcar e da mineração no Brasil.Definido por D. Francisco Manuel, na Epanáfora Trágica, como o paradigma da síntese ideal entre a coragem militar e o academismo literário, o conde compõe, com o segundo autor de uma Vida e Ações d'El Rei D. João I (1677) e o quarto conde de Ericeira, uma admirável estirpe de literatos que pertenceu ao círculo das Armas e das Letras. A sua extensa História de Portugal Restaurado, em duas partes, editadas em 1679 e 1698, não pretendendo ser uma crónica, aponta os diversos sucessos políticos, diplomáticos e, sobretudo, militares dos 28 anos da Restauração, na Metrópole, no Ultramar, e nas intrigas de chancelaria. A esta historiografia conceituosa e apotegmática, própria do tempo, juntou-se um lídimo espírito da realidade, alimentado pelo protagonismo que o terceiro conde de Ericeira teve em tantos dos sucessos que descreveu. Introduziu nesta obra, tal como D. Francisco Manuel de Melo nas Epanáforas, uma rigorosa terminologia militar. O seu estilo, embora descolorido, revelou-se engenhoso, pelas oposições e analogias verbais que conseguiu. A obra trata ainda algumas questões morais individuais, como o caso em que é denunciada a ingratidão de D. João IV para com Francisco de Lucena, sacrificado à inveja de vários influentes.
Como referenciar: D. Luís Xavier de Meneses in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-09-17 11:14:24]. Disponível na Internet: