D. Maria (1521-1577)

Infanta portuguesa, era filha de D. Manuel I e de D. Leonor de Áustria, tendo nascido a 8 de junho de 1521 em Lisboa.
Viveu num palácio particular a partir dos 16 anos, uma vez que a sua mãe a deixou em Lisboa por volta de 1523 (para se casar com o rei de França, Francisco I) depois do pai ter morrido em 1522. Foi educada por Joana de Blaesfeldt e por Ângela e Luísa Sigeia (que conheciam o grego, o latim e o hebraico), tendo igualmente recebido lições do calígrafo e padre Manuel Barata.
Dada a esmerada instrução que recebeu e a inteligência que possuía, as artes e letras atraíram-na particularmente. A sua residência tornou-se um autêntico centro intelectual e artístico da altura, onde passavam figuras como Luís de Camões, Paula Vicente (filha de Gil Vicente), São Francisco de Borja e Publia Hortênsia de Castro, entre outras. Apesar de ter inúmeros partidos (como o delfim de França, o duque de Orleans, o seu tio Fernando, o seu primo Filipe II), atraídos pela sua riqueza e cultura, acabou por não se casar por motivos políticos (não interessava ao rei D. João III que o valioso dote da princesa passasse para o estrangeiro) e talvez outros desconhecidos. A sua própria mãe tentou casá-la com partidos franceses, para que se pudessem reunir.
O convento (quase totalmente derruído pelo terramoto de 1755) e hospital da Luz (em Carnide) e o convento da Encarnação para as comendadeiras de Avis em Lisboa foram obra sua, assim como o de Nossa Senhora dos Anjos dos Capuchos, no Barro (Torres Vedras), o mosteiro de Santa Helena do Monte Calvário, em Évora, a igreja de Santa Engrácia, em Lisboa, e o mosteiro de São Bento, em Santarém.
Faleceu a 10 de outubro de 1577 na mesma cidade em que nasceu, tendo sido posteriormente sepultada no convento da Luz a 5 de julho de 1597, na capela mortuária que lhe era destinada.
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