Declaração de Argel

A candidatura do general Humberto Delgado (1958) à presidência abalou a vida política portuguesa e contribuiu para o alargamento das fileiras da Oposição. A esta, juntou-se, por exemplo, um amplo setor de personalidades identificadas com a Igreja Católica, como Francisco Lino Neto e António Alçada Batista, que se chegam a envolver em conspirações contra o regime salazarista.
Contudo, Salazar consegue triunfar desta nova crise (na qual se salientou uma contestação estudantil de grande envergadura) e, a abrir a década de sessenta, inicia um novo período de estabilidade após a prisão, condenação e exílio de muitos opositores. Entra-se num período de descalabro no seio da Oposição. Esta, extremamente dividida, deixa de constituir ameaça séria ao regime. A partir de 1962 assiste-se, praticamente em cada ano, ao nascimento de novos grupos oposicionistas, em geral marxistas mas mais preocupados em lançar ataques ferozes aos outros movimentos antissalazaristas do que propriamente em lutar contra a Ditadura. É neste contexto que surge em Argel um novo grupo antifascista designado Frente Patriótica de Libertação Nacional. Fundado a 27 de junho de 1964, este movimento marxista recebe a visita de Humberto Delgado empenhado em angariar apoios para a luta democrática que prosseguia. Contudo, a ideologia do grupo e divergências quanto à linha a prosseguir para o derrube do regime (que os "patrióticos" propunham fosse radical) levou o antigo candidato presidencial a entrar em rutura com eles. Delgado abandonará Argel, seguindo para Roma, onde fundará, com outros exilados, a Frente Portuguesa de Libertação Nacional (1964).
Como referenciar: Declaração de Argel in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-07-20 22:54:31]. Disponível na Internet: