Declínio Bizantino

A Igreja cristã ocidental e a Igreja oriental estiveram unidas até meados do século IX. A partir de então, os papas ocidentais e o clero bizantino entraram em conflito, dando origem ao Grande Cisma.
Os papas pretendiam alargar o seu domínio a toda a cristandade, uma pretensão rejeitada pela Igreja de Bizâncio, que estava por sua vez submetida ao poder imperial (cesaropapismo), insatisfeito com a intromissão do Ocidente.
Este desentendimento prendia-se com fatores como a difusão do cristianismo entre as tribos eslavas e a discussão de pontos de vista relativos à religião e às práticas religiosas. A rutura total e definitiva aconteceu em 1054, com a cisão da Igreja em duas: por um lado a Igreja romana ocidental e por outro a Igreja ortodoxa bizantina. Após as Cruzadas, que levaram cavaleiros e aventureiros à Terra Santa, Bizâncio perdera quase todo o poder e opulência do passado. Além disso, debatia-se, a título quase permanente, com os vizinhos Estados balcânicos: a Sérvia e a Bulgária, que se haviam libertado do domínio bizantino durante o século XII.
No início do século XIV a este problema veio juntar-se a chegada dos turcos otomanos, que substituem os turcos Seljúcidas. A expansão otomana conduzirá ao fim do velho Império Bizantino.
O emirado de Osman ou Otoman I (1299-1320) surgira no final do século XIII (nos principados turcos da Ásia Menor), reunindo num grande estado, que tomou o nome do seu fundador (estado otomano), a maioria das possessões turcas da região. O descendente de Otoman I, Orkhan-ghasi, que se intitulou sultão, tomou posse de grande parte dos domínios bizantinos na Ásia Menor e aproximou as suas fronteiras do mar da Mármara, já com a Europa em ''pano de fundo''.
Para os turcos otomanos foi bastante fácil apoderar-se dos países da Península Balcânica (a partir de Galipoli, em 1354), porque estes, quando guerreavam entre si, chegaram a pedir auxílio aos turcos, que prontamente tiraram partido da sua vulnerabilidade.
Tamerlão, o emir tártaro da Ásia Menor, aproveitou o desmembramento das possessões mongóis no final do século XIV, que se entregaram a uma luta entre si, para dominá-las, nomeadamente através de uma política de instigação das suas rivalidades e discordâncias. Esta ação do Tamerlão contra os mongóis acabou por adiar o fim do Império Bizantino.
Em pouco tempo Tamerlão tomou a Ásia Menor, o Irão, a Índia setentrional, a Síria, a Ásia Central e a Horda de Ouro. A capital do seu império foi fixada em Samarcanda, no Turquemenistão. Esta cidade foi então coberta de riquezas, recheada de ricos palácios e belas mesquitas, e a ela foram chamados artistas e sábios que a tornaram num dos maiores centros de cultura do Oriente. Ulusbek, neto de Tamerlão, foi um dos mais importantes sábios orientais da sua época, trabalhando num avançado observatório astronómico.
Em 1402 Timur (Tamerlão) defrontou os turcos otomanos, aquando da sua expedição à Ásia Menor, derrotando-os em Ancara (antiga Ancyra), mas a sua morte travou o ritmo das conquistas. O império que construiu acabou por se desagregar e, por algum tempo, diminuiu a pressão sobre Bizâncio. Contudo, em 1453 Constantinopla, o coração do Império Bizantino, foi sitiada pelo sultão turco Maomé II, o chefe das numerosas hostes turcas. Ao longo de 53 dias foi mantido o cerco à cidade e a 29 de maio de 1453 Constantinopla foi tomada pelos invasores. Maomé II entrou na cidade e reconverteu-a na sua capital, com o nome de Istambul.
A antiga capital do Império Romano do Oriente fora capturada pelos Turcos, um facto que pôs um ponto final na gloriosa história desta região, causou grande preocupação na Europa Ocidental, numa época em que o Império Turco constituía uma forte ameaça à unidade e prosperidade da Europa.
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