demência

A demência, termo utilizado pela primeira vez pelo psiquiatra francês Jean Esquirol, é considerada um síndroma (conjunto de sintomas) adquirido provocado por patologia orgânica, ou seja, por razões de ordem física, que num doente sem alteração da consciência, isto é, em que não se verifique perda do sentido da realidade, ocasiona uma deteorização (diminuição) progressiva e global da inteligência e de todas as capacidades funcionais ao nível social, familiar e profissional.
Esta patologia atinge a globalidade das funções psíquicas e tem um evoluir crónico (em praticamente todos os casos sem cura). Ela evolui do simples esquecimento das obrigações diárias até à apresentação de um comportamento totalmente inadequado e socialmente inconveniente por parte do doente que padece desta doença.
Para ser diagnosticado um caso de demência é necessário que se verifiquem alguns critérios de diagnóstico precisos desta patologia. Deste modo, um doente diagnosticado com demência (independentemente do seu tipo) apresenta inicialmente uma perda de memória a curto prazo (esquece, por exemplo, uma consulta marcada para o dentista), depois a longo prazo (recordações mais antigas são "como que apagadas") e tem dificuldade de reter novas informações. O seu discurso torna-se repetitivo e apresenta, numa fase intermédia, alterações da personalidade (como, por exemplo, torna-se apático, isto é, sem reação e/ou apresenta comportamentos antissociais e sexuais inadequados e/ou torna-se numa pessoa obsessiva ou compulsiva). São doentes que facilmente perdem a capacidade parcial ou total do uso da fala e tornam-se incapazes de executar determinadas atividades motoras. As demências apresentam três níveis de gravidade. Podem ser suaves (apesar de as atividades profissionais ou sociais estarem significativamente prejudicadas, a capacidade para uma vida independente permanece, estando assegurado a higiene pessoal adequada e a capacidade de julgamento intacta); moderadas (aqui a vida independente já é arriscada e é necessário algum tipo de supervisão, ou seja, de cuidados por parte de terceiros); ou, por último, podem ser severas (em que a vida independente está fora de questão, implicando a constante supervisão para assegurar a sua sobrevivência e higiene pessoal íntima).
Existem vários tipos de demência mas uma das mais importantes é a doença de Alzheimer. Esta demência apresenta a característica única de só poder ser comprovada após o falecimento do doente que a apresenta, uma vez que é necessário realizar uma biópsia cerebral (análise do estado dos tecidos cerebrais).
As causas de uma demência podem ser as mais diversas entre as quais se destaca as causas infeciosas, medicamentosas, problemas ao nível do sistema nervoso, cardíaco ou pulmonar ou, ainda, serem resultado de um défice (falha na perfeita constituição do organismo).
O tratamento das demências assenta numa medicação muito específica, num suporte terapêutico psicológico e familiar e proporciona uma orientação diária que tem em vista um encaminhamento dos doentes no seu dia a dia.
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