Deng Xiaoping

Dirigente comunista chinês (1904-1997), atravessou a conturbada história política da China do nosso século com uma singular capacidade para recuperar dos vários reveses que sofreu. Acabou por se tornar, a partir de finais dos anos 70, o detentor do poder supremo no país. Na juventude, vive durante alguns anos em França e passa ainda pela União Soviética, nos anos 20. Já então a sua atividade política se faz notar. De volta à China, tem início a sucessão de vicissitudes que marcam o seu longo percurso de figura histórica.
Como comandante militar, desde cedo se alia a Mao Tsé-Tung no contexto da guerra civil entre comunistas e nacionalistas. Depois da guerra, aliás, assume papel de relevo nas sangrentas perseguições políticas que ajudam a consolidar o regime. Fá-lo na função de secretário-geral do Comité Central do Partido Comunista Chinês, cargo para que foi nomeado em 1956 e que constitui um sinal do seu rumo ascendente na cadeia do poder. Vem, contudo, a ser afastado por Mao em 1966, durante a Revolução Cultural, mas acaba por se recobrar do revés. Depois da morte de Mao, e passando ainda por várias contrariedades (pois são muitas vezes violentos os métodos políticos chineses), Deng retoma a sua posição de supremacia e, anulando toda a oposição, torna-se em 1978 líder do Governo, das Forças Armadas e do Partido Comunista Chinês.
A partir de então, Deng enceta mudanças na estrutura socioeconómica do país que podem ser entendidas como um contraponto da Revolução Cultural idealizada por Mao. Ao mesmo tempo que tenta a normalização das relações diplomáticas (e, a seu tempo, comerciais) da China com os países mais ricos do Ocidente (recebendo os presidentes norte-americanos Nixon e Ford em Beijing (Pequim), por exemplo), efetua uma liberalização económica em certas zonas do país, instaurando um sistema de concorrência. Todavia, não permitiu qualquer tipo de abertura política, como se viu na Praça de Tiananmen, em 1989, onde, com o seu consentimento, foi violentamente reprimida uma manifestação pacífica que reivindicava a democracia.
Nos seus últimos anos de vida, Deng foi lentamente abandonando o poder efetivo e os cargos que detinha. Continuava, porém, a ser respeitado como o último dos grandes líderes que fizeram a China de hoje. Morreu em fevereiro de 1997, vítima da doença de Parkinson e de problemas nos pulmões.
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