depreciação (economia)

É comum assumirmos que muitos ativos económicos e financeiros estão sujeitos ao fenómeno de depreciação. Genericamente, quando se fala em depreciação de um determinado ativo, fala-se na sua perda de valor resultante de vários fatores possíveis, de acordo designadamente com o tipo de ativo que está em causa.
Embora de utilização bastante lata, o conceito de depreciação, em termos económico-financeiros, é utilizado em duas situações fundamentais: na contabilidade das empresas e nos mercados cambiais.
Ao nível da contabilidade, entende-se como depreciação a perda de valor monetário dos elementos que constituem o ativo de uma empresa, que por sua vez corresponde ao conjunto dos seus bens e direitos num determinado momento e que consubstanciam uma parte, normalmente importante, do seu património. Os principais elementos do ativo de uma empresa sujeitos a depreciação são as imobilizações (elementos do ativo, que se caracterizam pelo elevado grau de permanência temporal na empresa e que abarcam, entre outros, os equipamentos, os imóveis, os investimentos financeiros através da participação noutras empresas, etc.), as Existências (elementos físicos, que correspondem às matérias-primas, mercadorias, produtos acabados, etc. que uma empresa possa deter num determinado momento como resultado da sua atividade operacional normal); e os títulos negociáveis (por exemplo ações de outras empresas que estejam cotadas em bolsa e portanto sujeitas a variações no seu valor). A perda de valor dos elementos do ativo de uma empresa pode resultar de vários fatores, sendo os mais comuns os seguintes: a utilização sucessiva ao longo do tempo, a obsolescência decorrente da constante inovação, a variação do preço dos ativos nos respetivos mercados, etc. Como forma de traduzir contabilisticamente o fenómeno de depreciação, a contabilidade recorre ao uso de algumas figuras como sejam as amortizações (aplicáveis às Imobilizações) e as provisões (aplicáveis designadamente às existências e aos títulos de participação noutras empresas).
Na perspetiva dos mercados cambiais, o conceito de depreciação traduz genericamente a diminuição da cotação de uma moeda nacional face a outras moedas resultante do decurso normal do funcionamento dos mercados, ou seja, sem que as autoridades monetárias do país em causa interfiram nesse processo. Nesses casos, a eventual depreciação, que corresponde ao oposto de um fenómeno de apreciação, deriva da relação entre a oferta e a procura da moeda em causa.
Muitas vezes, ao nível dos mercados cambiais, o conceito de depreciação é equiparado ao de desvalorização, sendo que este deve ser utilizado também quando se quer designar uma diminuição da cotação de uma moeda face a outras, mas como resultado de uma ação voluntária das autoridades monetárias do país e não como resultado da interação entre oferta e procura nos mercados cambiais.
Finalmente, deve dizer-se que, por vezes, o conceito de depreciação também é utilizado no âmbito do poder de compra associado à moeda e ao fenómeno de inflação. Neste contexto, fala-se em depreciação da unidade monetária quando se verifica inflação relevante e, como consequência, o poder de compra dos agentes económicos diminui tendo em conta o aumento do nível de preços.

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