Descobrimentos

As primeiras tentativas portuguesas de explorar o Atlântico devem poder datar-se do reinado de D. Afonso IV, que em 1336 e 1341 lança duas expedições que chegam às Ilhas Canárias. Mas foi só após a conquista de Ceuta em 1415 que se desenvolveu sistemática e persistentemente o esforço de exploração dos mares desconhecidos e das novas terras, sempre sob a liderança de membros da família real, entre os quais avulta o infante D. Henrique, filho de D. João I, que durante os primeiros decénios centralizou todas as decisões.

As motivações para a empresa de descoberta foram essencialmente, embora não unicamente, de carácter económico: procurar acesso direto a fontes de fornecimento de trigo, de ouro ou de escravos e, mais tarde, das especiarias orientais. Para além da necessidade de alcançar as fontes de bens escassos ou caros na Europa, havia a intenção política de atacar ou debilitar pela retaguarda o grande poderio islâmico, adversário da Cristandade (neste desiderato se confundindo a estratégia militar e diplomática e o espírito de evangelização herdado das Cruzadas). A consecução desses objetivos genéricos só foi possível mediante um estudo rigoroso do regime de ventos marítimos e da astronomia, e o aperfeiçoamento de métodos de orientação, num esforço científico sem precedentes na época. 

As novas terras descobertas ao longo da costa africana e sul-americana, as novas rotas passaram a ser minuciosamente registadas em cartas geográficas que vão assinalando com rigor antes desconhecido o progresso do conhecimento científico. Em simultâneo com os avanços científicos e com o alargamento do saber náutico, da astronomia e da cartografia, desenvolvia-se o conhecimento da fauna e flora africana, sul-americana e asiática (o que permitia progressos e inovações na farmacopeia e na medicina), bem como das novas etnias e seus usos, costumes, tradições e sistemas políticos e sociais. Em todas estas áreas o conhecimento científico acumulado em Portugal e dado a conhecer por toda a Europa legitimou a afirmação de que se aprendia então mais num dia com os portugueses (o "saber de experiência feito") do que em toda a Antiguidade.

O impulso inicial das descobertas levou os navegadores a percorrerem toda a costa ocidental da África, contactando com as respetivas populações e estabelecendo feitorias e outros pontos de apoio ao comércio intercontinental, mas foi a entrada no Oceano Índico, no final do século XV, com o dobrar do Cabo da Boa Esperança (Bartolomeu Dias, 1487-1488) e com a viagem de Vasco da Gama até à Índia em 1498 (viagem de descoberta, mas também empresa diplomática com bem claros objetivos políticos e comerciais), que permitiu um maior alargamento dos horizontes, abrindo o caminho à influência e ao domínio portugueses num vasto mundo que ia da costa de Moçambique ao Japão. 

Pouco depois do regresso de Vasco da Gama, uma armada acha ou descobre a costa do Brasil (Páscoa de 1500), dando maior dimensão de grandeza a um império que a partir de então se espalha por três continentes.
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