desconstrucionismo

Conceito criado a partir dos trabalhos publicados por Derrida nos anos 60 e que colocam em causa a possibilidade de construção de significados linguísticos coerentes. Pela análise de uma série de textos filosóficos e literários, Derrida demonstra que, desmontando o não-dito do texto, as proposições não formuladas ou colocadas num nível inferior relativamente ao significado privilegiado pelo texto, o texto diz coisas diferentes das que diz, subvertendo as intenções significativas do autor. Derrida revolucionou a conceção tradicional de que a linguagem pode veicular um significado, emergindo das suas análises a revelação de que o significado produzido pela linguagem é coextensivo da própria linguagem, uma vez que os seus sentidos se encontram disseminados na própria área total do texto, através de infinitas possibilidades de sentido. Termo-chave desta doutrina, o termo différance, criado pelo filósofo, estabelece um princípio de não-identidade que torna a significação possível: reunindo os sentidos de "diferença" e "diferir", postula que o elemento linguístico só possui significado pela diferença que introduz relativamente a outros significados, e que, ao mesmo tempo, a totalidade do seu significado é eternamente diferida, pela necessidade de remeter para outros signos. Pela différance, o significado não é mais do que um traço que liga um termo a outros termos. Nesta medida, a linguagem assume-se como uma cadeia sem fim, na qual os discursos tentam fixar um termo original ou final que nunca pode ser atingido.
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