Desintegração do Império tibetano

O primeiro rei, Gnya-Khri, indiano de Kerala, inaugura uma dinastia de sete reis míticos (os Nam-la-Khri). Com a 2.a dinastia, o Tibete conhece alguns progressos em termos materiais e técnicos. Até ao século VI, não é, porém, mais do que um grupo de dezassete feudos em torno do principado de Yar-Klungs. Em meados do século VII, o rei Nam-Ri funda Lassa, onde constrói um grande palácio, o Potala, e empreende uma certa abertura do país, depois de federar os 17 feudos. Desposa uma princesa chinesa e uma nepalesa, ambas budistas.
Os contactos com a Índia e a China trazem progressos económicos, nomeadamente agrícolas.
Entretanto, a realeza vai-se convertendo ao budismo, vindo da Índia através do Nepal. Em 670, os Tibetanos atacam o Turquestão oriental e obrigam os chineses a abandonar postos avançados na Ásia Central, invadindo a seguir o Yunan e o Sichuan. Depois de várias vitórias sobre os Chineses, em 699, firma-se um tratado entre ambos os reinos. Porém, as incursões tibetanas em solo chinês prosseguem e o contra-ataque destes sucede-se com massacres. Um novo tratado é assinado em 730, mas os ataques mútuos persistem à base de pilhagens.
O apogeu do Tibete acontece na 2.a metade do século VIII com Khri-Srong-Ide-Btsan (755-797). Chang'an, capital dos T'ang, é tomada pelos Tibetanos, dotados de boa cavalaria móvel e de arcos curtos, que facilmente derrotam o "pesado" exército chinês.
O budismo, mercê dos contactos estreitos com a Índia, já não é só uma religião da corte, mas começa a ser também do povo, que a adota em lugar do Bon-Po, religião autóctone. É a religião oficial no século VIII.
Todavia, as lutas entre budistas e adeptos do Bon-Po agudizar-se-ão, abalando a monarquia tibetana. As seitas e chefes religiosos vão dominando o Império, além de usurparem e desmembrarem o poder central. Rivalidades religiosas e políticas ocupam, então, o quotidiano do Tibete, onde a preocupação passa a ser maior em relação aos conflitos internos do que aos externos.
Apesar da instabilidade política, o budismo expande-se e assimila-se, muitas vezes, ao Bon-Po. Também se assiste a grande atividade literária, com traduções em tibetano de textos sânscritos. O budismo e os seus inúmeros mosteiros detêm o "poder" real (teocracia) cada vez mais, relegando a monarquia e principalmente a aristocracia fundiária para segundo plano. O governo religioso e temporal é mesmo alcançado pelos monges no século XIV, depois de alianças com os Mongóis.
Lutas internas farão, no século XVII, os Mongóis controlar o Governo tibetano. Este controlo por vários povos estrangeiros suceder-se-á até à perda definitiva da independência para a China, em 1950.
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