diapedese
A diapedese é caracterizada pela passagem dos leucócitos através da parede dos capilares sanguíneos, vénulas e até arteríolas, penetrando através das junções entre as células endoteliais. Este processo é possível graças à capacidade que os leucócitos apresentam de alterar a sua forma, deslocando-se por movimentos ameboides.
A lesão ou invasão tecidular, por microrganismos, dá início a uma reação inflamatória. Este processo caracteriza-se por alterações da microcirculação, gerando um maior aporte sanguíneo ao local, vasodilatação, edema (devido a processos de exsudação a partir dos vasos sanguíneos) e aumento da permeabilidade vascular, permitindo a saída de moléculas (por exemplo, do sistema complemento) e plasma para os tecidos afetados.
Ao nível da zona afetada ocorre a emissão de moléculas com propriedades quimiotáxicas, que vão atuar sobre os leucócitos, estimulando-os a sair dos vasos em direção ao local lesionado, através do processo de diapedese. Como exemplo de moléculas com propriedades quimiotáxicas podem-se referir elementos dos sistema complemento, cininas, substâncias de origem bacteriana e produtos originados por outras células envolvidas no processo de defesa do organismo, como leucotrienos.
O processo de diapedese implica três fases consecutivas: marginação, pavimentação e migração.
Em resultado da inflamação, ocorrem alterações na corrente sanguínea, diminuindo a velocidade de circulação. Esta alteração faz com que os leucócitos, que normalmente circulam na zona central do fluido, se aproximem da parede do vaso, num processo denominado de marginação.
Seguidamente, na fase de pavimentação, os leucócitos achatam-se contra a parede do vaso, aderindo ao endotélio.
A migração ocorre com a passagem do leucócito, por movimentos ameboides, através dos espaços entre as células que formam a estrutura do vaso sanguíneo, movimentando-se através do tecido conjuntivo até atingiram o foco da infeção. A passagem não afeta as células endoteliais nem as ligações entre elas.
Os neutrófilos são os primeiros leucócitos a chegar ao local, fagocitando os agentes invasores. Seguem-se os monócitos, que se convertem em macrófagos, apresentando uma elevada capacidade fagocitária e sendo capazes de apresentar antigénios às células do sistema imunitário específico, os linfócitos. Os eosinófilos, basófilos e linfócitos atuam apenas em fases mais avançadas.
As substâncias quimiotáxicas, para além de estimularem a diapedese, provocam também alterações metabólicas que aumentam a capacidade fagocitária das células defensivas.
A diapedese permite que os leucócitos com capacidades fagocitárias (granulócitos e monócitos) e os linfócitos, produtores de anticorpos, possam combater a infeção do organismo imediatamente, in situ, contendo assim a sua proliferação e minimizando os danos. De outro modo, apenas seria possível despoletar a resposta imunitária quando o agente infecioso atingisse o sangue.
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