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diáspora

Com origem nas palavras gregas dia (por meio de, através de) e speiró (dispersão, disseminar ou dispersar), a expressão diáspora teve, como categoria social, diferentes significados e conotações ao longo dos tempos, embora fosse durante muito tempo quase exclusivamente associada à vivência da comunidade judaica e da sua dispersão forçada pelo mundo, constituindo o exílio traumático de um povo sem pátria permanentemente perseguido. Esta primeira conotação de valor negativo, relacionada com a segregação, a perseguição e a vitimização com um inevitável desejo de regresso às raízes ou à pátria mãe, foi aplicada extensivamente a outras comunidades nas mesmas circunstâncias, como os arménios ou certas populações africanas.
Mais recentemente, a palavra diáspora assumiu um significado menos negativo exprimindo a deslocação para outros países de certas comunidades, por razões de vária ordem, que mantêm os laços culturais e afetivos entre si e o seu país de origem. Por vezes, esta deslocação assume a forma de emigração ou trabalho temporário por sua própria iniciativa e por razões, a maior parte das vezes, económicas. Outras vezes, o conceito é aplicado a populações que se deslocam por motivos de exílio político ou de refúgio, devido a guerras ou catástrofes naturais, embora aqui a utilização do termo diáspora não seja por todos aceite. Sob a perspetiva de "consciência do eu" e analisada segundo o conceito de "dupla consciência", a expressão diáspora reflete uma dupla localização emocional e sentimental e uma descentralização afetiva da pessoa que se encontra dividida perante o seu estar físico, por exemplo no país de imigração, e o seu estado psicológico, que está simultaneamente ligada ao país que a recebeu e ao seu país de origem.
Um outro sentido desta palavra pode ser encontrado nas expressões artísticas e culturais dos povos que se encontram na situação de diáspora, que assimilam tanto a sua herança histórica e cultural original como as vivências e as experiências que lhes vão provocar necessárias transformações. Os produtos culturais resultantes desta assimilação exprimem, muitas vezes, oscilações entre as várias culturas e mutações constantes que, paradoxalmente, constituem a sua característica mais constante e coerente.
Uma última perspetiva analisada segundo certos preconceitos raciais e políticos defende que as comunidades da diáspora representam um perigo social e uma ameaça à segurança do país recetor, sendo potenciais focos de terrorismo. Esta visão preconceituosa assenta no facto de estas comunidades manterem a sua cultura e a sua identidade originais, o que suscita dúvidas relativamente à sua lealdade ao país que as recebe, ao mesmo tempo que a sua diferença constitui uma ameaça às tradições e às normas do país de acolhimento. Este tipo de pensamento é contestado por aqueles que veem as rotas das diásporas como uma consequência inevitável quer de um passado de colonialismo ocidental quer como resultado da atual globalização dos meios de comunicação e de deslocação que provocam o surgimento de novas identidades e culturas híbridas, mesmo sem a presença física e o contacto com outras comunidades de origem diferente da sua.
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